segunda-feira, 4 de julho de 2016

Thomas Hobbes por Ediel Ribeiro

Thomas Hobbes (5 de abril de 1588 - 4 de dezembro de 1679) foi matemático, teórico político e filósofo inglês, autor de Leviatã (1651) e Do cidadão (1651). Nasceu em West - Port, Inglaterra, no período da revolução liberal inglesa. Defendeu o rei Carlos I. Em 1651, dois anos após a decapitação do rei Carlos I, decidiu voltar para a Ingla-terra com o fim da Guerra Civil e o começo da “Ditadura de Cromwell”. Exilou-se na França, entrando em contato no pensamento de Descartes. Mais sobre Thomas Hobbes você lerá no livro Filosofia para o Enem, de autoria do professor Jota, a ser lançado em breve pela Editora Zodíaco, com capa de Fani Loss e ilustrado pelos maiores nomes da caricatura mundial. A carica de Thomas Hobbes abaixo é de Ediel Ribeiro.

Torquato Neto por André Camargo,

Sob a batuta de Suélen Becker, cartunista amiga, até o dia 5 de julho do corrente ano estará aberta a participação no Concurso de Caricaturas Torquato Neto, poeta, compositor, jornalista, cineasta, ator, diretor, publicitário etc Torquato Neto, o ideólogo da Tropicália, movimento que revolucionou as letras e as artes brasileiras final de 60 para início de 70. Próximo ano a Tropicália estará cinquentona. Muitas homenagens sendo preparadas. Uma delas será a publicação de um álbum com todas as caricaturas que forem postadas na página do referido concurso. Pode ser em cores, preto e branco, quantas quiserem. Em qualquer estilo. E tamanho. Essa carica que ilustra essa postagem é do amigo André Camargo, super genial. Concurso de Caricaturas Torquato Neto:https://www.facebook.com/groups/480694912006061/?pnref=story

Torquato Neto por Celso Werneck Muniz

Sob a batuta de Suélen Becker, cartunista amiga, até o dia 5 de julho do corrente ano estará aberta a participação no Concurso de Caricaturas Torquato Neto, poeta, compositor, jornalista, cineasta, ator, diretor, publicitário etc Torquato Neto, o ideólogo da Tropicália, movimento que revolucionou as letras e as artes brasileiras final de 60 para início de 70. Próximo ano a Tropicália estará cinquentona. Muitas homenagens sendo preparadas. Uma delas será a publicação de um álbum com todas as caricaturas que forem postadas na página do referido concurso. Pode ser em cores, preto e branco, quantas quiserem. Em qualquer estilo. E tamanho. Essa carica que ilustra essa postagem é do amigo Celso Werneck Muniz, super genial. Concurso de Caricaturas Torquato Neto:https://www.facebook.com/groups/480694912006061/?pnref=story

Torquato Neto por Fernando Castro

Sob a batuta de Suélen Becker, cartunista amiga, até o dia 5 de julho do corrente ano estará aberta a participação no Concurso de Caricaturas Torquato Neto, poeta, compositor, jornalista, cineasta, ator, diretor, publicitário etc Torquato Neto, o ideólogo da Tropicália, movimento que revolucionou as letras e as artes brasileiras final de 60 para início de 70. Próximo ano a Tropicália estará cinquentona. Muitas homenagens sendo preparadas. Uma delas será a publicação de um álbum com todas as caricaturas que forem postadas na página do referido concurso. Pode ser em cores, preto e branco, quantas quiserem. Em qualquer estilo. E tamanho. Essa carica que ilustra essa postagem é do amigo Fernando Castro, super genial. Concurso de Caricaturas Torquato Neto:https://www.facebook.com/groups/480694912006061/?pnref=story

Genu Moraes por Walter Toscano


Genu Moraes por Walter Toscano, caricaturista, pintor, ilustrador, fabricante de bonecas de pano, poeta e microcuentista peruano.
Distinções:
Menção Honrosa no 5° international "Smiling Cat" Cartoon Web Contest – 2012. 
Menção Honrosa no International Caricature Web Contest, caricatura de Yuriy Kosobukin, Azerbaijão, 2013.
Grande Prêmio no International "Öktemer Köksal" e-portrait exhibition, Don Quichotte, Turquia, 2013.
Membro do júri no "The first international cartoon and caricature, Cartoonmag, Irã, 2013."
Menção Honrosa e Prêmio do Júri Popular no 40º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, Brasil, 2013.
Primeiro lugar em Caricatura no 18º Salão Internacional do Mercosur Diogenes Taborda, Argentina, 2013.
Segundo lugar em Caricatura no 6º Fadjr Festival Internacional de Artes Visuais, Irán de 2014.
Segundo Prémio no 8th HumoDEVA International Cartoon Contest, Romênia de 2014.
Terceiro lugar no Second International Cartoon and Caricature Festival Cartoonmag / Irão / Bojnourd / 2014.
Prêmio Especial no9th International Cartoon Contest, SÍRIA, 2014.
Segundo lugar em Caricatura no 2º Concurso Internacional de Humor Manaus, Brasil, 2014.
Prêmio Cámara de Vereadores na 41° Salão Internacional de Humor de Piracicaba, Brasil, 2014.
Menção Honrosa na caricatura no 19º Salón Mercosur Internacional Diógenes Taborda, Argentina, 2014.
Prémio "100 ° Aniversario Julio Cortázar" no 19º Salón Mercosur Internacional Diógenes Taborda, Argentina, 2014.
Membro do Júri do 21° Festival Internacional de Caricatura Ricardo Rendón, Rionegro, Antioquia, Colômbia, 2014.
Placa de honra "pelo conjunto da obra no campo Internacional de Humor Gráfico e contribuição valiosa para fazer as pessoas rirem com reflexão para a humanidade", 21 ° Festival Internacional de Caricatura Ricardo Rendón, Rionegro, Antioquia, Colômbia de 2014.
Primeiro lugar em Caricatura, "Homenagem ao mestre Arlés Herrera Calarcá", Colômbia, 2014.
Terceiro Prêmio no BIG & BIGGEST PHILOSOPHERS - 19 e do século 20 - nosorog RhinoCervs, Bósnia-Herzegovina (Republika Srpska), 2014.
Segundo Prémio na 13ª Concurso Internacional de Humor Caratinga, Brasil, 2015.
Terceiro Prémio no 11º International Cartoon Contest, SÍRIA, 2015.
Terceiro lugar em Caricatura no 20º Salão Internacional do Mercosur Diogenes Taborda, Argentina, 2015.
Segundo Prémio no 22° Festival Internacional de Caricatura Ricardo Rendón, Rionegro, Antioquia, Colômbia, 2015.
Terceiro Prémio no Keju International Cartoon Competition, China, 2015.
Segundo Prêmio na VIII International Caricature Contest-Magazine "Nosorog" ("Rhinocervs") em Banja Luka, Republika Srpska, 2016.
Membro do júri em "Quo vadis Europa? / Journey of Hope", 9th International Don Quichotte Cartoon Contest, 2016.
Primeiro lugar em Concursos de Caricaturas Brasil, 2016.
Terceiro Prêmio no 11 Salão de Humor de Mogi Guaçu, Brasil, 2016.
Ilustrações: 2016
Caricaturas de Arthur Schopenhauer, Bertrand Russell, Darwin, Karl Popper, Nietzsche e Sartre para o livro Filosofia para o Enem, do professor Jota, Editora Zodíaco, Teresina - Piauí - Brasil.

sábado, 2 de julho de 2016

Magalhães da Costa

Magalhães da Costa e Fontes Ibiapina, ambos escritores e magistrados de minha meninice em Parnaíba. Possuíam estantes e mais estantes de livros. Eu, devorador de livros, e sem condições de comprá-los, vivia enfurnado na casa dos dois, que me recebiam como se filho fosse. E ficavam felizes com a minha devorações de seus livros. Os que eles compravam e, principalmente, os que eles escreviam. Fontes Ibiapina ficou em Parnaíba. Magalhães da Costa veio para Teresina. E eu também. Quando ia a Parnaíba, não deixava de ir à casa de Fontes Ibiapina. Em Teresina, continuei a frequentar a casa de Magalhães da Costa, esta acrescida de uma convidativa piscina, que nos recebia com águas sempre limpas e em boa temperatura para abrandar o calor da cidade. Devo dizer que eu acompanhei a feitura de todos os livros de Magalhães da Costa. Alguns eu cheguei a passar a limpo e a datilografar (sim, datilografar à máquina de escrever). Vibrei, aos 11 anos, com duas conquistas. O tri-campeonato do Brasil na Copa do Mundo de Futebol, realizada no México, entre os dias 31 de maio e 21 de junho. Final: Brasil 4 x 1 Itália (Gols do Brasil: Pelé, Gerson, Jairzinho e Carlos Alberto). E o lançamento de Casos Contados, livro de Magalhães da Costa. Depois, em 1972, nova vibração, com No mesmo trilho. Em seguida, em 1985, com Estação de Manobras. Em 1999, com Traquinagem. Agora, há poucos dias, em almoço a mim oferecido em seu apartamento, o amigo Joseli Lima Magalhães, doutor em Direito, professor da Universidade Federal do Piauí, me ofertou Histórias com pé e cabeça, lançado em 2012, sob organização dele e do irmão Jomali Magalhães, ambos filhos de Magalhães da Costa. As histórias que compõem os livros de Magalhães da Costa foram forjadas em sua infância em Piracuruca, especialmente na Fazenda Curral de Pedra, que muito frequentei com ele e continuo frequentando com dona Júlia Lima Magalhães, sua viúva, e os filhos já citados. De quando em vez, ele chegava á minha casa, parava o carro, batia à porta e dizia, quando eu chegava: "Bora, cabôco, entra e vamos pra fazenda". Como eu sempre fui um vagabundo profissional, para onde me levam eu vou, não contava conversa, entrava e me ia com ele. Foram forjadas, também, em suas andanças pelas cidades do interior do Piauí, em sua serventia como magistrado. Onde havia uma roda de cabôco, lá estava Magalhães da Costa, de cócoras, ouvindo os causos. Herculano Moraes nos diz que Magalhães da Costa é o narrador existencial. A vida urbana e o homem do campo, o rincão de Piracuruca, sua terra natal, de onde extrai as vivências transformadas em excepcionais narrativas. O próprio Magalhães da Costa confessa que as histórias dos seus livros são de casos ouvidos, vividos e estudados, criados pela força da ficção, onde o social revela o homem. Narrativas de tipos comuns de gente, encontradas aqui e alhures. Criaturas de carne e osso, como todos nós, que precisam ser olhados na grandeza de seres humanos, de pobres filhos de nosso Senhor. Estou vibrando com a leitura de mais este livro de Magalhães da Costa, com quem disputei o título de Intelectual do Ano de 1986. Houve empate. Nós dois recebemos o Troféu Fontes Ibiapina (olha ele, ai de novo, gente!), concedido pela União Brasileira de Escritores - Secção do Piauí, que ele idealizou e criou, em 21 de outubro de 1973 , sendo o seu primeiro presidente, e E que tem, no momento, o filho Dr. Joseli Lima Magalhães, como vice-presidente. Obrigado pelo presente, meu caro amigo.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Naeno

JOSÉ NAZARENO BATISTA DA ROCHA – NAENO, filho de Manoel Batista da Rocha, já ao lado do bom e imenso Deus, e de Francisca das Chagas Batista da Rocha, irmão de nove. Casado com Gina, pai de Isadora, Luíza e Pedro. Nascido em São Pedro do Piauí, veio para Teresina em 1962, então com 8 anos.
Cursou os antigos primário, ginásio e científico na rede pública do Estado e graduou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Piauí. É pós-graduado em Análise Financeira, pela Associação Brasileira dos Bancos de Desenvolvimento – ABDE.

Profissionalmente, Naeno foi servidor público estadual por 11 anos, exercendo diversas funções, como datilógrafo, assessor da Secretaria do Trabalho e Ação Social e da Secretaria de Indústria e Comércio. Em fevereiro de 1984, ingressou no Banco do Estado do Piauí, como Técnico de Banco de Desenvolvimento, onde permaneceu até 31 de dezembro de 2001. Nesse ínterim, atuou como Diretor do Theatro 4 de Setembro, no período de 1991 a 1994.
REALIZAÇÕES NO SETOR ARTÍSTICO
No início de sua carreira musical, Naeno, juntamente com o GRUPO VARANDA, apresentou-se na cidade mineira VIRGINÓPOLIS, por ocasião do Festival da Jaboticaba.
Realizou, como membro do GRUPO VARANDA, vários shows em Teresina, com o Theatro 4 de Setembro literalmente lotado.
Como membro do GRUPO VARANDA, participou ainda do Projeto Torquato Neto, realizando shows em São Raimundo Nonato, São João do Piauí, Floriano, Picos, Oeiras, Teresina, Parnaíba, São Luis do Maranhão e Fortaleza.
Em 1980, Naeno e o GRUPO VARANDA tiveram a honra de apresentar-se com o inesquecível Luiz Gonzaga, no Auditório da Universidade Federal do Piauí.
A música MORENA, sua composição mais popular, teve 19 gravações, tanto por artistas locais quanto por outros deste Brasil afora.
Naeno tem participação com músicas suas em trabalhos de diversos artistas do Estado.
Em suas inúmeras composições, Naeno divide algumas parcerias com Climério Ferreira, Salgado Maranhão, William Soares, João Ângelo, Glauco Luz. Também guarda parcerias especiais com poetas como Miguel de Cervantes, Fernando Pessoa e Cecília Meireles, e tem o projeto de levar às escolas o Trabalho “Cecília Me Leva”, com quinze canções de sua autoria sobre os poemas desta poeta.
Escolhido para representar a região Piauí/Maranhão, no concurso ITAU RUMOS CULTURAIS – MÚSICA, onde concorreram aproximadamente sete mil artistas em nível nacional. Apresentou-se no Teatro ITAU, Sala Azul, na Av. Paulista – São Paulo, em maio de 2001, participando de CDs coletivos resultantes desse concurso.
Possui quatro CDs gravados:
O primeiro INTERIOR; o segundo ENTRE NÓS, este um cd com músicas sacras, e conta com a participação de cantores e compositores piauienses, como Carol Costa, Laurenice França, Grupo Ensaio Vocal, José Marques Zemarx, Vavá Ribeiro, manda Batista, José Marques, disco este arranjado e executado por Júlio MedeirosGeraldo Brito, Paulo Aquino, Adelson Viana.
Neste cd, eu tive o orgulho da participação de Xangai. sendo três individuais e um coletivo, sobre os quais recebeu elogios de vários críticos daqui e de outros centros, como Brasília, Ceará, Minas Gerais.
O terceiro cd, RINDO OU CHORANDO, arranjado por Adelson Viana, Sardinha, entre outros.
O quarto, COR SOLAR, com arranjos de Swamy Júnior e Guilherme Kastrupe, dois dos mais procurados arranjadores e músicos de São Paulo. Este cd teve a participação muito especial dos artistas Zeca Baleiro, Mônica Salmaso, Chico César e do compositor e cantor Bruno Batista, de São Luiz do Maranhão, mas que conduz sua carreira em São Paulo. Ressalte-se que Bruno foi o meu incentivador para a gravação deste cd, responsável também por sua produção, ao lado dos já citados Swamy Júnior e Guilherme Kastrupe.
Apresentou-se, como convidado, na cidade de Brasília, no espaço Feitiço Mineiro, em maio de 2002
Realizou show, juntamente com artistas de outros estados, muitos de renome nacional, no Festival JULHO EM SALVADOR, em julho de 2003.
Apresentou-se, como convidado especial, em duas ocasiões, no CLUBE DO CHORO em São Luis do Maranhão, em 2008 e 2009.
No tão acessado Google, encontra-se 22 páginas com matérias e informações referentes à sua atuação artística.
No momento, prepara-se para produzir seu primeiro DVD, com recursos da PETROBRAS em convênio com a FUNDAC.
COMO ARTESÃO
A música é, sem dúvida, a grande vocação e paixão de Naeno, mas não se pode deixar de destacar seu grande talento como artesão, produzindo peças de extrema beleza e originalidade, utilizando-se de matérias primas como couro, alumínio, acrílico, madeira e cerâmica. Com sua habilidade produz tapetes, luminárias, pratos revestidos em couro, móveis e outros tantos trabalhos.
Esse talento lhe valeu uma exposição na Universidade Camilo Filho, em 2004, com grande receptividade.
MARIA DA INGLATERRA.
Naeno foi, juntamente com os músicos e compositores piauienses Climério Ferreira, Clodo Ferreira e Clésio, os impulsionadores da carreira de Maria da Inglaterra, quando, com ela participaram de um show em Brasília, na Sala Funarte.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Valciãn Calixto

Integrante do movimento Geração TrisTherezina do Piauí, que tem como bandas Cidade Estéril, Cianeto HC, Flores Radioativas, Dzaia, Old School Kids e Doce de Sal, Valciãn Calixto, que também é guitarrista nesta última, só teve contato com o instrumento elétrico aos 17 anos, o que quase o fez desistir e ser apenas violonista.
Daí a montar uma banda, o passo foi talvez o mais curto de sua vida. Com a Doce de Sal, Valciãn gravou uma fita demo pouco divulgada e lançou três singles em 2014, um deles, “Menina do Olho de Opala”, com participação de Igor Filus, da curitibana Charme Chulo.
Os shows pela cidade, em eventos quase sempre organizados pelas próprias bandas, colocaram, ainda que maneira arredia, a Doce de Sal na cena musical teresinense. Para não se isolar, Valciãn junto de mais alguns comparsas, formou o que conheceremos como Geração TrisTherezina, coletivo com artistas visuais, escritores e músicos do Piauí.
Em 2015 Valciãn publicou seu primeiro livro, “Reminiscências do caseiro Genival” e, após encerrar a primeira tiragem da obra, foi logo soltando o single dissonante “Teoria do Abacaxi”, para anunciar o disco solo lançado em 2016.
Portador do mal de sua época, a ansiedade, liberou mais uma mostra do álbum, “Núcleos de um Romance Engavetado”, revelando seu lado experimental numa faixa de sete minutos com participação de amigos e integrantes da Geração TrisTherezina relatando casos diários de assédio moral e sexual à mulheres de todo o mundo. “É uma música bastante amarga e tensa, mas de abordagem bem necessária para esses nossos dias”, conta.
Influenciado por nomes como C.W. Stoneking, Elizeth Cardoso, Jimi Tents, Sasha Keable, Isobel Campbell, Algiers e Timbalada, o piauiense conta que as dez faixas de seu debut carregam uma ideia que mistura desde a agressividade do punk aliado a melodiosas formas e possibilidades rítmicas do axé, resultando naquilo que o músico costuma chamar de “Axé Punk”.
O álbum finalizado no ATM Estúdio em Teresina foi captado pelo músico Arthur Raulino, direção e arranjos do próprio Valciãn, que gravou todos os instrumentos de harmonia como guitarras, baixo e teclados, tendo a bateria ficado a cargo de seu irmão, Marciano Calixto.
Gravado da maneira mais independente possível, sem gravadora, edital, lei de incentivo nem nada, Valciãn lembra que precisou vender guitarras e alguns pedais para pagar as gravações, esforço que nos diz muito sobre o artista do Piauí que começa a aparecer para o Brasil da melhor maneira possível, produzindo muito.
Está no livro Música Piauiense - de A a Z, a ser lançado em breve pela Editora Zodíaco. Com fé, esperança e amor.

Paulo Eduardo, mestre do violão e da voz

Paulo Eduardo, amazonense de nascimento. Músico desde 1974. Chegou a Teresina em 1994. Tem quatro Cds gravados - Paulo Eduardo canta - Voz e Violão, Paulo Eduardo canta Jovem Guarda, Paulo Eduardo canta Anos 60 e Paulo Eduardo canta Pé de Serra - e trabalha na gravação de um quinto, com 16 músicas de sua autoria. Faz uma média de 180 shows anualmente, cantando em cidades do Piauí e do Maranhão, em churrascarias, aniversários, casamentos e eventos empresariais. Está no livro Música Piauiense - de A a Z, a ser lançado em breve pela Editora Zodíaco. Com fé, esperança e amor.

Cláudia Simone, filha do Sol e do Equador


Claudia Simone Oliveira Andrade nasceu em Teresina, em 1970. Filha de mãe cantora, ninguém menos que Bebel Martins, e irmã da cantora/compositora e humorista Netinha Piauí, Cláudia Simone traz no sangue e na cultura marcas definitivas e contagiantes da arte. Iniciou sua carreira aos 13 anos, acumulando, ao longo do tempo, vários talentos na alma. É cantora, poeta e bacharel em Direito (Formada pelo CEUT - em Teresina).
Estreou em 1991, cantando no Pacatuba, no projeto musical Geraldo BritoConvida.
Em 1994 abriu o show de Geraldo Azevedo para um público superior a 5.000 pessoas, em Fortaleza.
Em 1997 encantou com o show SOBRE TODOS OS SONS DA NATUREZA, oportunidade em que lançou o livro com o mesmo título, junto ao livro OS SINOS QUE DOBRAVAM EM SILÊNCIO, de Marleide Lins de Albuquerque, sua produtora. Este trabalho foi prestigiado em Brasília, recebendo elogios da critica do Correio brasiliense. Um de seus poemas foi publicado pela GRAMÁTICA SARAIVA/2000, indicado a rede particular de ensino do 2º Grau. Durante esse período participou de diversos show em homenagem a Elis Regina, evento realizado anualmente por João Vasconcelos.
Em dezembro de 2000, lançou o primeiro CD, A QUINTAESSÊNCIA, produzido por Marleide Lins. Ainda em 2000, faz o show MULHERES PLURAIS, tendo a participação especial de sua mãe Bebel Martins, também produzido por João Vasconcelos.
Em 2001, gravou duas faixas do CD “Pedindo um tom” de Fatima Castelo Branco, produzido por Marleide Lins de Albuquerque.
2005 publicou o Conto “A Quintessência" e com esse conto foi a única mulher premiada no Concurso Publique da FUNDAC, 2009 – Participou da “Antologia das Escritoras Piauienses” e foi co-produtora do Livro “Elas Escrevem, Elas Inspiram” – organizado por Marleide Lins, com escritoras contemporâneas do Piauí).
Cláudia Simone através de uma performance impecável consegue preencher todos os espaços, do palco até a emoção de quem assiste. Ouvi-la é penetrar no inusitado a partir de nossas próprias emoções. Percebe-se, de imediato, uma interação com a sua época. No palco sua entrega é plena, como assim o é, em feedback, a nossa. Somente um recorte de críticas e sensações faria este documento histórico exprimir a autenticidade da sua arte e de sua crítica. Como cantora sua performance é impecável em suas interpretações perfeitas, ela consegue preencher todos os espaços do palco, atingindo em cheio o coração da platéia. Com apresentações que mesclam música e poesia, Cláudia desliza de um gênero a outro desvelando o melhor de ambos” – palavras de críticos, diretores de Teatro e produtores como Arimatan Martins, João Vasconcelos, Manoel da Cruz Nascimento e Anna Kelma Gallas:
Arimatan Martins diz “A meu ver e ao meu ouvir Cláudia S. é a mais pura expressão da modernidade na música popular bem feita no Piauí. Ela é a interprete do que há de melhor em nossos compositores. Excelente performance no palco como não se ver toda hora ”.
Sobre a sua cênica frisa o produtor, conselheiro e diretor do Theatro 4 de Setembro Joao Vasconcelos: “ela é o diferencial, sua noção de palco, onde ela canta e interpreta com ALMA, deixa o público magnetizado. Sua performance de estrela é tudo”.
“Cláudia Simone imprime sons e tons entre o grave e afinados solfejos, uma voz no centro de um furacão ” discorre Manoel Da Cruz Do Nascimento Da Cruz Nascimento sobre sua visceralidade musical.
Para finalizar esse mosaico, com a palavra, Anna Kelma Gallas “Se o CD A QUINTAESSÊNCIA surpreende pela sua vitalidade, em parte, pela escolhas de composições vigorosas, assinadas pela mais nova e criativa geração de compositores pops de Piauí, também causa grande impressão aos sentidos pela força interpretativa de Cláudia Simone. Ela impregna cada composição de energia, carregando cada naipe de “alma”, o soul de que tanto gosta. Surpresa e prazer marcam esta audição. Cláudia é a autêntica representante de uma geração que levou às últimas consequências a necessidade de superar os limites entre o teatro, a literatura e a música”.
Produtora do Projeto Canta Piauí gravou 15 DVD’s de compositores e intérpretes piauienses. Lançou a 1ª Coletânea / 2009 com: Netinha Piauí, êita Píula, José Coelho RoraimaEdvaldo Nascimento, e “A Ópera dos Malungos (com os Irmãos: Feliciano Bezerra, Dimas e Assis Bezerra) e a 2ª Coletânea do Projeto com: Os Olivêra, Cláudia Simone, Geraldo Brito,Rubens De Figueiredo Figueiredo e Chagas Vale.
Em seu DVD “Literato Cantabili”, faz uma homenagem ao poeta multi-mídia Torquato Neto.
Residiu por uns tempos no Rio de Janeiro e, de volta, trabalha, no momento no Projeto Música Para Todos.
Está no livro Música Piauiense - de A a Z, a ser lançado em breve pela Editora Zodíaco. Com fé, esperança e amor.

Maria Bethânia, São João Batista da Tropicália

Maria Bethânia foi a primeiro a ter peito para ver e ouvir com olhos e ouvidos livres a nova desordem na música popular brasileira, apontando um Roberto Carlos de guitarra, roupas de plástico e em cores, brucutu nos peitos, cabelos grandes e ao vento, mandando todo mundo pro inferno. Teve a reprimenda do irmão Caetano Veloso, de Nara Leão, de Elis Regina, Jair Rodrigues, de Gilberto Gil e, principalmente, de Geraldo Vandré, que quis meter a faca nela quando ela ousou dizer que iria fazer um show em homenagem a Roberto Carlos. Leiam sobre a Passeata contra a Guitarra Elétrica. Maria Bethânia a São João Batista da Tropicália.

Benício Bem, essa mulher é homem

Nasci no Poção – Zona rural de Piripiri- e fui alfabetizado lendo os cordéis do papai. O rádio foi muito marcante em minha infância, porque era o único meio de comunicação que tinha lá em casa e ainda era de pilhas.

Infância muito difícil, trabalhando de roça, mas rodeada por uma atmosfera musical, que vai desde Maria Bethânia, Elba Ramalho, Caetano Veloso, Luiz Caldas até a turma de Ciganos e andarilhos que se hospedava na casa de meus pais. Eles vinham com suas rabecas, sanfonas e seus encantos e, eu tinha muito medo, mas achava lindo.
Aos domingos papai passava o dia cantando cordel pra gente (os filhos). Contava histórias de trancoso, cantiga de boi, vaquejada e músicas do folclore nordestino. Já a mamãe entrava com suas modinhas e valsas da velha guarda musical. 
Mas foi mesmo na zona rural de Brasileira (Povoado Vereda), onde iniciei a vida artística, cantando na Banda Os Mini – frutos, na época do Luiz Caldas, no começo dos anos 90! A gente andava numa Rural (era tão bom nesse tempo). A explosão do axé. As músicas comerciais eram de boa qualidade....
A minha primeira composição veio em 1991 com influência da divulgação da Eco 92 , eu me inspirei e compus ‘’Amazônia, o povo chora’’ por ocasião do II FEMPES (Festival da Musica Popular Estudantil) que era um importante evento de Piripiri.
Mais tarde ainda nos anos 90, troquei de banda fui pra Banda RC6 de Piripiri, onde passei mais de 2 anos como vocalista, depois fiz um dueto com o amigo Caranguejo - ele tocava teclado lá em Piripiri e eu cantava- era um esquema tipo serestão. Também foi mais de dois anos.
Em 1998 eu resolvi segui carreira solo. Quer dizer: tocando MPB nos bares... só com o violão. Fazendo do meu jeito.
Quando morava em Piripiri criei o ‘’Sarau aceso’’, mas sem incentivo não vingou. Cheguei a montar um projeto ‘’Sonho de arte’’, que só consegui apresentar uma vez.
Aí eu tive que migrar para os eventos massificados e comecei a participar do Pirifolia em julho de 1999, no Trio da banda do Capilé.
Mas aí no dia 18 de maio de 2000, numa manhã de quinta-feira, cheia de rosas com o consentimento de papai e mamãe, eu vim-me embora pra Teresina.
Aos poucos preparei o show Música e Drama, Humor e Poesia e estreei no Projeto Boca da Noite, no Espaço Cultural Osório Júnior, Clube dos Diários, dia 28 de junho de 2000.
Aí a gente peleja de todo jeito sem apoio financeiro de nenhuma lei de incentivo, nem empresa privada, fica difícil.
Foi quando o João Carlos convenceu o Amaury Jucá a dar uma forcinha. Ele nos ajudou a montar o musical ‘’Benicio Bem, essa mulher é homem‘’. Em 13 de outubro de 2004 nós estreamos em única apresentação no Teatro 4 de Setembro.
Em Setembro 2005 nós levamos o mesmo show para mostrar no DF, num encontro de piauienses.
No ano de 2007, no Projeto Boca da Noite nós apresentamos o show,’’ Ele me deu um beijo na boca.’’ 
Já em 2008, também no Boca da Noite, mostramos o show ‘’O que eu faço na noite’’ 
De novo no Boca da Noite, em Novembro de 2009, nós montamos um show só com música de macumba e de cigano, incluindo as minhas e resultou no magnético show ‘’Benicio Bem e os cavaleiros de aruanda’’.
Eu comecei a assumir meu lado militância LGBT em Agosto de 2010 quando o Grupo Matizes me convidou pra participar do ‘’Divas trans’’ no Osório Júnior.
Com recortes de vários shows eu me apresentei em agosto de 2011 no Festival de Rabeca de Bom Jesus.
Em dezembro de 2011 por ocasião Festival de Humor realizado em Piripiri apresentamos uma releitura do musical ‘’Benicio Bem Essa mulher é homem’’. Foi bem recebido pelo público.
Ai nós decidimos levar essa mesma ideia para o festival de cultura de Oeiras, a convite da antiga Fundac em janeiro de 2012 .Aí já não foi lá essas coisas . Quando eu comecei a cantar ‘’ O carro de bicha abusada’’ ... um senhor saiu do meio do povo dando escândalo mandando eu parar ... Foi contido por um segundo grupo de LGBTS que lhe expulsaram do local. Foi muito babado!
Aí o jeito foi voltar pra Teresina e apresentar já em 2015, em 27 de agosto, participando de mais uma edição do Divas Trans, no Osório Júnior.
E também em 2015 a convite do secretário de cultura Fábio Novo, preparei um pequeno show cigano pra participar da programação de aniversário do Teatro 4 de Setembro- 121 anos no dia 1°de setembro – terça, no Clube dos diários.
Por enquanto é esse!

Luizão Paiva "Professional Music"


Luizão Paiva é um piauiense que rodou o mundo mostrando seu enorme talento como pianista. Tocando piano desde os seis anos de idade, Luizão Paiva, como é conhecido, descobriu a música através de sua avó, a maestrina Adalgisa Paiva, que foi aluna de Villa Lobos. Por insistência dela, o jovem talento foi viver em São Paulo, para estudar no Colégio Arquidiocesano, que tinha em sua grade curricular o ensino de música. Para atender a um desejo do pai, Luizão Paiva ainda estudou Engenharia até o terceiro ano, no Rio de Janeiro. Mas a paixão pela música falou mais alto, e sua escola se tornou a Escola de Música Pró-Arte, no Rio. Depois seguiu para os Estados Unidos, onde tornou-se Bacharel em "Professional Music" (composição, arranjo e performance), na Berklee College of Music, em Boston. Apresentou-se em vários jazz clubs e recebeu da Berklee College Of Music o prêmio "Lennie Johnson ", por mérito musical. Uma das primeiras composições de Luizão foi a trilha sonora de abertura da primeira versão da novela "Roque Santeiro", produzida pela TV Globo. Como instrumentista, trabalhou na peça "Gota d'Agua"com Chico Buarque e sob a direção de Dorival Caymmi. Trabalhou também com Bibi Ferreira na peça “Brasileiro: Profissão Esperança”. Tocou ainda com cantores importantes da MPB; entre eles, João Bosco, Nana Caymmi, Moraes Moreira, Carmem Costa, Nora Nei e Jamelão. Com a família Caymmi, fez temporada no "Blue Note", em New York e na Europa. Depois de trinta anos acompanhando cantores pelo mundo, Luizão Paiva voltou a Teresina, onde montou a Escola de Música Adalgisa Paiva, na UFPI. A EMAP é mantida através de convênio com a SEDUC – Secretária de Educação do Estado, e realiza o trabalho de formar músicos profissionais para o mercado. Antes de uma apresentação em Teresina, Luizão concedeu uma entrevista ao portal Medplan. Confira.
- De onde vem tão rica herança musical? Minha bisavó, mãe da minha avó, dona Alípia de Paiva, cantava muito bem. E havia minha avó, Adalgisa Paiva, que teve influência mais forte. Ela estudou com Villa Lobos, um dos maiores maestros que o Brasil já teve. Durante um ano e meio no Rio de Janeiro, ela fez um curso de música e trouxe seu aprendizado pra cá. Foi uma das pioneiras aqui no Piauí.
- Como foi sua introdução no mundo da música? Aprendi piano com a minha avó muito cedo, depois estudei no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, com um mestre italiano. Fui para o Rio de Janeiro, pra Pró-Arte, em Laranjeiras. Lá eu era aluno do Homero Magalhães, Hélio Sena, e toda uma turma boa. Só “cabeção” da música do Rio. Comecei a ser profissional quatro anos depois, com 20 e poucos anos, quando já tocava em bares do Rio de Janeiro. Meu professor até brincava comigo quando eu chegava, meio tonto, nas aulas pela manhã, depois de ter tocado a noite inteira no bar. Daí eu tocava um Bach*, mas numa roupagem meio “jazzista”. Aí o professor chegava pra mim e perguntava “Vais tocar Bach como se fosses um pianista de Jazz?” Mas eu sou um pianista de Jazz, respondia eu. Fiquei um bom tempo no Rio, e foi aí que eu comecei a conhecer as pessoas certas.
- Antes de se profissionalizar na música o senhor ainda cursou Engenharia. Como foi largar esta formação para se aperfeiçoar musicalmente? Fiz Engenharia até o terceiro ano. Quando eu larguei foi uma confusão na minha casa. Meu pai era tabelião, me mantinha no Rio, e cortou a ajuda quando deixei o curso de engenharia. Minha mãe, então, passou a me apoiar, meio oculto, vendendo suas jóias e mandando a grana pra mim. Minha mãe é uma figura ! E também é musical. Toca piano e canta.
- E como se deu o seu ingresso no cenário internacional? Quando eu comecei a trabalhar e a aparecer tocando com músicos famosos, fui pros EUA, me graduei em Boston, na Berklee College of Music, onde fiz graduação em Música . Mas não aguentei ficar nos EUA muito tempo e voltei pro Brasil, porque estava cansado do estilo americano. Eu estava lá há uns três anos ininterruptos, e se eu não voltasse pro Brasil eu teria "pirado". Trabalhei muito, estudei, ganhei bolsa, etc. Isso porque eu tocava muito bem, o que dava nome à escola. Fiquei até os 31 anos por lá. Fui casado daqui, meu primeiro filho, Luizinho, nasceu em Boston. Então me separei, e ele foi com a mãe pra França. Depois ele veio para o Brasil, e morou 6 anos comigo. Aqui no Brasil eu continuei fazendo meu trabalho. E viajava o Brasil todo, Europa e EUA com grandes cantores.
- Dos lugares nos quais o sr. tocou, qual deles mais valorizava a sua música? O local que mais me jogou tapete vermelho foi a Alemanha, na Europa. Aqui no Brasil o músico é tipo um “peão”. Ele fica atrás e o cantor é quem leva os louros, é quem fica lá na frente. É quem ganha mais. O show é dele. A gente "acompanha". Mesmo assim, é uma experiência boa. Você conhece bastante gente. O Moraes Moreira, por exemplo - fiquei como parceiro dele. Fiz música com ele em novela e ele virou meu amigo. Todos eles viraram meus amigos. O Dorival Caymmi virou meu amigo; toquei com ele em Portugal, São Paulo, Rio de Janeiro. Na Alemanha cheguei a ser apresentado como o melhor pianista brasileiro.
- Dentre tantas apresentações pelo mundo, alguma foi mais marcante? Uma vez eu estava tocando em uma cidade alemã, no tempo em que era Alemanha Oriental. Era o dia do meu aniversário, e eu estava tocando com um amigo argentino, Tony, que era do grupo “Raízes da América”, e com um percussionista americano. Fizemos um som de primeira qualidade, e a platéia toda achou incrível. Então o Tony falou que era meu aniversário. Todo mundo cantou parabéns em alemão, e fizeram um brinde pra mim. Também já aconteceu nos EUA várias vezes de eu tocar em grupos de funk, na época que estavam começando os grupos de funk americano, compostos só por negros. Eles não chamavam nenhum branco pra tocar. Quando me conheceram, passaram e me chamar. Eu toquei com eles e pediam pra fazer “aquele som do nordeste do Brasil...aquele baião”. Daí, juntavam com a música deles e era uma loucura. Eu toco jazz com as minhas influências brasileiras, e isso agradava muito.
- E de tantos estilos com os quais o sr. já teve contato, qual lhe agrada mais a ponto de escolher pra tocar pro resto da vida? Cada um tem sua área. Eu sou “jazzista”, um “jazzman”. Agora, eu toco com todas as minhas influências brasileiras, como eu disse. Eu fiquei seis anos no Conservatório de Roterdã, na Holanda, pra ensinar “brazilian jazz” pra eles. O conservatório me contratava. Eu ia todo ano, passava 6 meses na Europa e 6 meses no Brasil. E eles aprendiam muito, assimilavam. Eu falava em português misturando espanhol e inglês na Holanda. E eles entendiam tudo e gostavam dessa mistura. Nas aulas tinha muita gente, mais de 30 alunos; e era divertido, porque além da música, havia o intercâmbio cultural.
- Como foi o retorno ao Piauí? Eu estava no Rio, casei novamente e tive outro filho. Nessa época, o Rio estava em uma “entre safra” musical. Aí eu pensei: por que não o Piauí? Eu já rodei o mundo, já toquei em tanto lugar: Europa, América do Norte...Pensei, então: por que não fazer um trabalho no Piauí? Por que essa discriminação? Então eu vou! Aí eu vim pra cá, e fui convidado pelo então senador Alberto Silva. Ele me chamou pra fazer um projeto pra UFPI junto com ele. Montamos, e hoje está aí, a Escola de Música Adalgisa Paiva, que foi um projeto meu e do senador Alberto Silva. Projeto consolidado que está formando bons músicos. A Emap é uma escola muito boa. Não conheço nenhuma igual no que ela se propõe a fazer, que é colocar músicos no mercado.
- O mundo da música é competitivo? É competitivo numa boa, mas depende do lugar. Existem certos lugares em que o músico derruba o outro. Aqui no Piauí tem um pouco disso. Agora em outros lugares como na Europa, o cara vê outro tocando muito bem, vai pra casa e estuda pra tocar ainda melhor. A competição é assim, muito saudável. Nos locais culturalmente mais pobres, onde a influência do governo, a política, é muito forte, isso é utilizado para derrubar o outro. No Brasil, o músico ganha um vigésimo ou menos do que o cantor, e isso também é prejudicial.
- O que o sr. pensa sobre a produção musical atual, que vende produtos de qualidade duvidosa? Mediocrizou tudo. Antigamente, nas paradas de sucesso das rádios populares, tocava “Travessia” de Milton Nascimento, tocava Chico Buarque, Tom Jobim, dentre "as 10 mais". Olha a diferença pra hoje: umas músicas horrorosas que não têm nenhum sentido, paupérrimas musicalmente ! Você espreme e não tem nada. Agora o engraçado é que nos EUA também existe esse tipo de coisa, de produtos musicais enlatados. Mas eles dão valor também às outras coisas. Aqui no Brasil não. O Chico Buarque é considerado velho. O cara é um artista, e artista não envelhece. O fator primordial para mudar isso é a educação. A educação é que é o grande fator de consciência. Difundir a música e transformá-la em História. Nos EUA o Frank Sinatra é um cara que é tema de teses científicas e aqui devia ser assim também. O Brasil ainda está muito atrasado culturalmente. E o Brasil precisa preservar sua cultura. Tem tanta gente que está esquecida por aí, como Pixinguinha e outros poetas geniais. A preservação da cultura musical deveria ser uma coisa geral, que começasse nas escolas, ensinando música de forma obrigatória. Na época em que estudei em São Paulo, no Arquidiocesano, eu tinha no currículo escolar, dentre outras matérias, a música, o latim, o francês,e o inglês.
- Quais são seus projetos para o futuro? Eu vim por causa da família. Estou no Piauí, mas estou aberto a fazer trabalhos fora. Vou ao Rio e a São Paulo. Talvez vá a Holanda produzir um disco da minha irmã, que mora lá e canta em bares. Se eu for, eu circulo e toco nos festivais. E outra coisa que eu desejo muito é poder escrever toda a minha obra. Está tudo digitalizado e são mais de 300 músicas, entre arranjos, composições jazzistas e composições pra orquestra. O que eu mais quero nesse momento é poder divulgar isso. Poder levar isso pra Europa quando eu for, e apresentar, pra ninguém dizer que eu deixei uma obra, mas sim que a fiz e apresentei em vida.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

João Luís Ferreira e Lima Barreto: amizade e dedicatória de Triste fim de Policarpo Quaresma


João Luís Ferreira, filho de Gabriel Luís Ferreira e de Maria Benedita Cândida da Conceição Pacheco, nasceu em Teresina, a 23 de abril de 1881. Fez o primário e os preparatórios na Capital. Transferindo-se com seu pai para o Rio de Janeiro, matriculou-se na Escola Politécnica, onde se diplomou como engenheiro civil em 1901, tendo entre seus colegas de turma o escritor Lima Barreto.
Anos depois, já governador do Piauí, conhecedor da situação precária de Lima Barreto, convidou o amigo para dirigir a Imprensa Oficial do Estado.
O psiquiatra piauiense Edmar Oliveira, residente no Rio de Janeiro, escreveu sobre o assunto: “João Luís Ferreira é um nome muito conhecido dos piauienses. Quem já foi a Teresina certamente cruzou a praça que leva seu nome, no centro da cidade. A ponte metálica, símbolo da capital e que primeiro ligou firmemente o Piauí ao Maranhão também tem o nome de João Luís Ferreira. E a gente aprendeu, nos livros de história do Piauí, que João Luís foi um governador moderno, da época em que os primeiros automóveis chegaram a Teresina e foi um dos responsáveis pela ligação ferroviária entre Teresina e São Luís do Maranhão. A estrada é toda no Maranhão e terminava em Timon, cidade vizinha a Teresina, separada pelo Rio Parnaíba.
No governo de João Luís os passageiros atravessavam o rio em canoas para pegar o trem no Maranhão. Mas o governador do Piauí muito fez pela construção da estrada de ferro, conseguindo verbas federais. A ponte da amizade, primeira ligação entre os dois estados foi construída em 1939 e batizada com o nome de João Luís, que só então fez, de fato, a ligação entre as duas capitais, idealizada no seu governo. Seu mandato ocorreu entre os anos de 1920 e 1924. Em 1922 mudou a sede do governo para a Chácara do Karnak, palácio do governo até hoje. E neste ano morreu Afonso Henriques de Lima Barreto.
O destino fez o caminho destes dois homens, tão diferentes, cruzar a linha da vida, o que poderia ter mudado a História, esta senhora que no futuro parece tão segura de si e inevitável, e que é a mesma dama em que no passado qualquer acaso poderia ter mudado seu semblante. Se tentarmos brincar com as conjecturas do passado, podemos ver na dona História uma cara que não reconheceríamos. Isto é só para entendermos que os acontecimentos que acreditamos no presente podem não ter qualquer traço no semblante da dona História no futuro, o que de certa forma é desesperador para nossa fluida existência...
Pois bem, o que tem então de encontro entre estes dois homens de destinos tão diferentes? João Luís, filho da elite do coronelismo piauiense, veio estudar no Rio de Janeiro no início do século XX na Escola Politécnica, preparatório para o curso superior de Engenharia. Lima Barreto, mulato suburbano carioca – que teve como padrinho de adolescência o Visconde do Ouro Preto – foi impulsionado à escolaridade de elite. Mas antes de terminar os estudos preparatórios teve que sair do sonho das elites para mergulhar na dura realidade da pobreza. Com a loucura do pai, Lima larga os estudos por um emprego humilde, para ajudar no sustento da família. E numa realidade que o distanciava dos sonhos foi tragado pela loucura, mergulhando no alcoolismo para poder continuar a sonhar. E se retira da vida aos 41 anos. Sua intensa e obstinada produção literária, não percebida em vida, faz a dona História reconhecer os traços limabarretianos na história da Cultura brasileira. O governador do Piauí, vitorioso em vida, é esquecido por dona História, que só se lembra dele por uma ponte e uma praça em Teresina...
Por certo, estes dois homens tão diferentes tiveram um encontro de profunda amizade em vida. É para João Luís que Lima Barreto dedica O Triste fim de Policarpo Quaresma, romance que faz certo sucesso quando da publicação em 1915. Se formos ao Policarpo podemos ver a dedicatória ao amigo, um jovem rico do Piauí, mas um ilustre desconhecido no Rio e que só complicaria a passagem do romance do Lima junto à elite literária carioca. Mas no episódio podemos ver o desprezo do Lima para concessões aos poderosos e a valorização da amizade em uma obra que poderia representar seu passaporte na literatura. 
Lima Barreto. 1914. Primeira internação.

Saindo da Escola Politécnica para as ruas, Lima Barreto mergulha na pobreza, na decadência, na loucura, sendo internado como indigente no Hospício da Praia Vermelha. Enquanto descia na escala social, João Luís subia. Concluiu os estudos preparatórios, o curso superior, retornou ao estado nordestino e em 1920 era o governador do Piauí.

Lima Barreto. 1919. última Internação.

E não esquecendo daquele amigo de juventude, que lhe dedicara um romance, escreve a Lima Barreto, oferecendo um emprego de diretor da Imprensa Oficial do Estado do Piauí. Lima Barreto, recusando o emprego, fez o Piauí perder muito no cenário literário. Ou talvez não, pois dona História podia ter resolvido não carregá-lo para o futuro, se tivesse ido para o Nordeste e não fosse imolado no Rio. A dona História gosta por demais de reconhecer a tragédia como mérito no futuro...
O certo é que Afonso Henriques nem respondeu a proposta e se deixou tragar pela escuridão da tragédia. Talvez num gesto orgulhoso por achar ser um ato de caridade do piauiense, que o procurou quando estava na miséria. Mas também porque não podia se afastar da sua cidade, do seu subúrbio, do seu mundo, mesmo que sucumbindo as agruras do cotidiano já próximo ao fim. Talvez ele tenha sorrido e pensado antes de morrer em Todos os Santos: “- Já fiz o que podia ter feito. O resto é com a dona História...”

domingo, 8 de novembro de 2015

Igreja de São Benedito

Na Teresina de 1912: Igreja de São Benedito, e os moradores.

"Localizada entre as Praça da Liberdade e São Benedito, na área mais central da cidade, é o terceiro mais importante templo católico construído em Teresina, sendo as outras - Igreja Nossa Senhora das Dores e Catedral de Nossa Senhora do Amparo (Padroeira) - os principais templos da cidade.
A pedra fundamental da Igreja de São Benedito foi lançada em 13 de junho de 1874, e sua sagração se deu em 03 de junho de 1886. A igreja demorou 12 anos para ser concluída pelo missionário capuchinho italiano Frei Serafim de Catânia, da ordem dos franciscanos, que veio para Teresina em 10 de maio de 1874.
Construída em alvenaria, telhado de cana industrial cerâmico, forro abobadado, vergas em arco pleno e piso externo em lajota cerâmica, a Igreja de São Benedito é uma imponente edificação, em estilo toscano como igreja italianas, com torres piramidal que se elevam a mais de quarenta metros de altura seguindo rigorosamente o modelo da basílica medieval, com planta cruciforme, e tem inspiração romântica com fachada trabalhada voltada para o oeste, planta em cruz latina e abside posterior ao altar-mor, com alto zimbório e majestosa escadaria de pedra que leva a seu adro. Seu portal é arqueado. Uma estátua em tamanho natural do santo padroeiro encontra-se em seu frontispício, entre as torres sineiras de zinco dadas pelo papa Pio XII. Suas portas, obras de Sebastião Mendes, foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional: são feitas de jacarandá e cedro, trabalhadas em motivos florais.,,"
Pesquisa: Eliane Aragão, colaboradora e incentivadora do resgate da historia e memoria de Teresina - Piaui.

A família Clodoaldo Freitas

Lili Castelo Branco

A gente, de quando em vez, reporta-se ao passado. Volta ao trazer ao pensamento cenas inesquecíveis, representadas por quem muito queríamos e jamais esqueceríamos.
Recordo, hoje, gente fina, inteligente, encantadora. Não o faço de maneira ampla, como desejava, dado o pequeno espaço do jornal, que não é só meu.
Apenas faço um resumo daquilo que, na ocasião, mais me emocionou.
D. Corina, alta, magra, feições bem delineadas, era uma criatura triste, raras vezes sorria. Na testa formara-se um fundo vinco, estrada por onde foram passando, um a um, os féretros dos seus filhos, que se ausentaram ara sempre, deixando-a alucinada de sofrimento. De seus filhos, só conheci o Marcelino e o Lucídio. Este, ainda no Pará, eu garota e ele um bonito rapaz. Morava então com o homem que se viria a tornar meu esposo. Heitor, amigo de Clodoaldo (foto), tratava o poeta com carinho.
Marcelito, rapaz simpático e inteligente, era grande animador de iniciativas sociais aqui em Teresina. Até para a escolha de misses seu voto preponderava sobre os demais. Deu de cobrir com lona, as salas onde iriam dançar, para evitar a poeira e imperfeição dos pisos, a essa época, quase todos de tijolos. A moda pegou e, daí por diante, quando havia uma festa, em casa particular, os rapazes se movimentavam naquele serviço.
Também tinha a sobrinha e filha de criação do casal, a Altina, a quem eles muito queriam. Estudava, Eu pouco a via quando das minhas visitas, mas gostava muito dela, por ser mansa, muito bem educada e boazinha.
Dr. Clodoaldo Freitas, homem grisalho, feições bem feitas, inteligência marcante, cultura indiscutível, era o centro de minha maior atração naquela casa amiga. Vez por outra levava-lhe as minhas produções para que as julgasse. Naquele dia, pegou do meu trabalho e leu-o para as pessoas presentes. Mas notou logo o meu descontentamento pelo que fizera e disse-me a olhar-me firme: “Por que esconde o que escreve? Antes, devia mostrá-lo a todos. Você, asseguro-lhe, ainda virá a ser uma romancista”. E abraçou-me, para agradar-me.
Lia para mim as suas produções e eu muito assimilava o que ele ia lendo. Certa ocasião começou a ler para mim trechos de seu livro sobre a Balaiada. – Revolta dos Balaios, guerra civil no Maranhão, de 1838 a 1840. Eu fitava-o atentamente, como sempre fazia quando ele lia para mim e ele, que gostava de estudar-me as reações, espiando-me por cima dos óculos, viu que eu furtivamente enxugava os olhos emocionada. Deu de ler o restante com ênfase, imprimindo força e convicção aos seus protagonistas, com isso minhas lágrimas correram mais abundantes e ele, afastando os óculos para a ponta do nariz, disse-me a rir-se gostosamente.
- “Lili, você pensa que tudo isso é verdade? Que tolice, tem muita invenção minha”.
Com aquilo quis retirar de mim a tristeza que a leitura me ia causando.
Certa tarde, recitava para mim versos de seu filho Alcides, mas, de tal forma se emocionou que, desta vez, quase que era ele quem fazia feio na minha frente. Guardou os versos e eu respeitei sua emoção, não pedi que continuasse.
D. Corina gostava imensamente de mim. Demonstrava em tudo e, por mais que eu lhe dissesse que nascera em Portugal, mas era paraense, ela sempre que eu ia a ela com uma queixa, abraçava-me e dizia-me: “Deixa, minha portuguesinha, Deus está contigo”.
A casa deles era sempre triste. Simples no arranjo e nas pessoas que ali viviam. Pouco movimento de visitas e de criados. O que era habitual era a figura de uma criadinha da cada, Maria Francisca, sentava a um canto da sala, as pernas voltadas para trás, a fazer a sua renda de almofada. Dava-me a impressão, que afora aquilo, nada mais a interessava.
Lucídio veio visitar seus pais e sua terra, o Piauí. Já trazia em si o começo da doença que o vitimava. Trouxe consigo a esposa e filhos. Estes constituíram, por pouco tempo, refrigério às ardências dos sofrimentos da avó. Adorava-os.
Veio o carnaval. O casal não se conteve e brincou o tempo todo. Ele gripou-se fortemente. Acamou e nunca mais se levantou. Ai sim, é que aquela casa, já de si triste, mais se amargurou. O doente piorou, a febre leva-o a variar e, então, poeta que era, recitava alto.
Pedi para vê-lo, saberia portar-me, até o animaria. Clodoaldo levou-me. Com estava diferente, apenas os olhos se conservavam intactos, o resto fora-se com a doença. Ao ver-me, olhou-me muito e disse, forçando um sorriso.
- “Oh! Estrela do céu, vieste trazer luz a este enfermo envolto em trevas?”
Ia prosseguir, mas a tosse sufocou-o e eu caí em choro convulso. Em vez de conforto, levei a certeza da gravidade de seu estado.
Caiu a tarde. Aproximava-se a noite. D. Corina, a um canto do sofá, chorava. Eu, a seu lado, pegando-lhe da mão amiga, procurava confortá-la. Lá para dentro o doente tossia, às vezes acalmava.
Nada mais se ouvia a não ser o bater insistente dos bilros da almofada da Maria Francisca a fazerem: teco, teco, teco.
Jornal O dia, páginas 6 e 3
Edição de 10/11/7/1966.

O cinema em Teresina


Simplício de Sousa Mendes

O primeiro cinema que se exibiu em Teresina, lembramo-nos bem, foi trazido pelo alemão Herr Blum, vindo até nós procedente de São Luís do Maranhão.
O Porco Mundano foi o filme de mais interesse no seio do povo.
Era, no cinema mudo da época, um paquiderme imenso, de cartola e vestido bem, a fraque, colête, conforme a indumentária do tempo.
O Porco Mundano causou sensação e valeu por grande acontecimento e extraordinário atrativo.
As exibições eram diárias, enquanto o Theatro 4 de Setembro ficava completamente cheio – ouvindo os gritos: - o Porco Mundano – Sr. Blum, queremos o Porco Mundano.
Por ai, pelo entusiasmo popular em exibições dessa natureza – verifica-se quanto era o atraso da arte cinematográfica naquele tempo e, sem dúvida, o mau gosto do povo, deliciando-se com a figura de um animal, um porco em pé, vestido e dançando.
Mais tarde – algum tempo depois – Leônidas Nogueira e José Omati, juntos e associados, passaram a explorar o cinema mudo, no 4 de Setembro.
Pedro Silva, compositor e espírito inteligente – que se destacava pelas aplaudidas composições musicais – construiu o Cine S. Luiz ou Cine Royal – ali na Praça Rio Branco – onde se localizaria depois a Singer e mais tarde as Lojas Pernambucanas.
Leônidas faleceu e José Omati prestou toda a sua afinidade, perseverança e tenaz entusiasmo ao cinema – dando tudo que lhe fora possível dar ao Film – já então sob o aperfeiçoamento do cinema falado.
Morre Omati ainda em pleno vigor. È quando aparecem outros exploradores da arte da tela cinematrográfica: - Bartolomeu Vasconcelos e Deoclécio de Moraes Brito – construindo o Cine Rex – da Praça Pedro II.
O Ferreira arrenda o Theatro 4 de Setembro e passa a competir – dedicando-se, igualmente, ao cinema.
Mas a evolução não para, é demorada, embora constante, Teresina cresce e exibe, no plano atual do desenvolvimento, um cinema à altura da cidade, que se aperfeiçoa atingindo mais alto grau de civilização e de conforto.
Outros espíritos empreendedores surgem com os Drs. Jorge Chaib e R. Portela de Melo.
Fundam uma sociedade por ações populares e conseguem o mais completo êxito.
E, assim, hoje, comemorando o dia nacional da independência – inaugura-se o suntuoso prédio da Rua Coelho Rodrigues, onde passará a exibir-se o cinema melhor instalado e mais confortável de Teresina e do Nordeste brasileiro: - o Cine Royal, num justo preito de homenagem ao pioneiro José Omati.
O prédio é suntuoso, as instalações estão à altura do edifício e correspondem às exigências da arte, bom gosto e de conforto da mais apurada elite teresinense. É um surto de iniciativa privada de grande animador alcance e que muito honra e eleva a sociedade evoluída, que tanto precisa e merece ser beneficiada.
Não resta dúvida que o esforço dos promotores do Cine Royal foi grande e arrojado. Mas fez-se na conformidade da evolução teresinense.
Os melhoramentos não vem senão a tempo, quando o meio está próprio e preparado para recebê-los.
E é o que acontece, de certo, com o Cine Royal que, vitorioso, passará, de agora em diante, a ser um marco luminoso do exuberante desenvolvimento e progresso da cidade do imortal conselheiro Saraiva.
Teresina civiliza-se, cresce – com arte, fina sensibilidade artística e notável sentimento estético – de que o aspecto arquitetônico é grande demonstração.
Estará, portanto, ao nível de corresponder, devidamente, àquilo que é valor e mérito dos devotados construtores do Cine Royal – José Omati – nessa deferência e acatamento à fina flor da população de Teresina.
É, sem dúvida, uma grande casa de arte e a arte fala aos sentimentos elevados e as faculdades emocionais de fino gosto e de boa educação.
O Cine Royal – José Omati é um marco imponente de uma fase nova na vida social dos teresinenses.
Estão de parabéns os seus arrojados e decididos promotores, de certo, merecedores de calorosos aplausos.
O mundo marcha e, como nós já estamos tão distantes do Porco Mundano de Herr Blum, do cinema mudo, do começo do século!
O Cine Royal é um marco civilizador.

Jornal O Dia, coluna Televisão
Página 3, 7.9. 1966