sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Engenheiro Antônio Alves de Noronha

Quando chegamos ao Rio fomos muito visitadas. Era muito comum na época fazer visita aos parentes, aos amigos, aos conhecidos e tal. E aí, devíamos retribuir as gentilezas. Organizamos, então, um roteiro de visitas. Uma das primeiras foi um jantar na casa de Dr. Antônio Alves de Noronha, casado com dona Noema. Eles moravam no Alto da Boa Vista, numa casa chiquérrima. Mandaram nos buscar. Eu fiquei impressionada com aquele jantar, a rigor, muito chique. As filhas dele estudavam no Sacré-Coeur de Jesus, no Alto da Boa Vista. Mais tarde, foi colégio de Lilyne e também de minhas filhas Lúcia e Lydia.

O Dr. Antônio Alves de Noronha nasceu em Teresina, em 16 de setembro de 1904. Filho de Joaquim Antônio de Noronha (Quincas Noronha) e de Amélia Costa de Noronha. Ele era irmão de Stella, que foi casada com o professor Moaci Madeira Campos. Ela era filha de José de Oliveira Costa e de Emília Francisca de Moura. E irmã do des. Odylo de Moura Costa que, casado com a sua prima Maria Aurora Alves Costa, teve o poeta Odylo Costa, filho, que se casou com a pintora Maria de Nazareth Pereira da Silva, em 1942, sob a bênção dos poetas Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Ribeiro Couto, padrinhos do casamento.

Formado pela Escola Politécnica da Universidade do Rio de Janeiro, o Dr. Antônio Alves de Noronha conseguiu seu primeiro emprego aos 23 anos, em 1927, sendo responsável pelo projeto de toda a estrutura de concreto do prédio da sede da Companhia Mecânica Importadora de São Paulo, que foi considerada a maior obra de concreto da época. Daí surgia um grande calculista e uma das maiores autoridades no Brasil na área de concreto armado.

Fundou a Noronha Engenharia S.A em 1932. Com o suicídio do fundador, em Paris, em 19 de junho de 1962, com um tiro na cabeça, calibre 22,  seu herdeiro, Antônio Alves de Noronha Filho, assumiu, em meados da década de 1960, o escritório, que adquiriu o status de grande consultoria de engenharia, com o nome Antônio A. Noronha – Serviços de Engenharia. Na terceira geração, a neta, engenheira Moema Pará Noronha, começou a presidir a empresa, que ampliou o leque de serviços oferecidos, passando a atuar também nos segmentos de hidrologia, irrigação, saneamento, energia, plantas industriais e metrôs, então já sob o nome de Noronha Engenharia S.A. Sob comando da engenheira Moema Pará Noronha, outros projetos honram a memória do avô e do pai: o túnel metroviário sob a Baía de Guanabara, que será escavado com o uso de máquina shield; o projeto da Linha Amarela (lote 2), no qual se encontra o túnel da Covanca, apontado como um dos maiores túneis urbanos do mundo; a estação metroviária e Passarela Cidade Nova no metrô carioca e projetos também na Refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em Pernambuco.

Aqui, construiu a ponte sobre o Rio Parnaíba, perto do Bairro Saci, que o governo do Piauí nominou de Ponte Engenheiro Antônio Noronha. Construiu a cúpula do Hotel Quitandinha, em Petrópolis. Imensa, sem coluna, extraordinária. Quando o Dutra acabou com o jogo, a pedido de dona Camélia, que era muio católica, o hotel faliu. Integrou a equipe que construiu o Estádio Mário Filho (Maracanã), onde se realizou a célebre Copa de 1950, e até hoje considerado o maior estádio de futebol do mundo. Desenvolveu o projeto da ponte Ernesto Dornelles, no Rio das Antas - com vão livre de 186 m, 287,7 m de extensão e 46 m de altura, foi a maior obra de arte do gênero na América Latina. Situa-se entre os municípios de Bento Gonçalves e Veranópolis, no Rio Grande do Sul. É considerada, ainda, obra indutora do progresso na região e um ícone da engenharia brasileira. Projetou a construção do Arsenal da Marinha, na Ilha das cobras. Foi consultor técnico e um dos projetistas da construção da ponte internacional da Foz do Iguaçu. O seu escritório fez a Ponte Rio - Niterói. Foi professor catedrático da Faculdade Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e do Instituto de Engenharia do Exército. Foi o primeiro presidente do Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB) - outubro de 1961 a início de 1962. Teve como secretário o engenheiro Lúcio Washington.

Homem muito culto, o Dr. Antônio Alves de Noronha publicou: Fundações Comuns do Concreto Armado, 1932; Métodos dos Pontos Fixos; As pontes em Quadro de Aço e de Concreto Armado; Curso de Estabilidade das Construções e Curso de Pontes e Grandes Estruturas.

Ele recebeu inúmeras homenagens, como a Medalha da Ordem do Mérito Militar (Rio de Janeiro). O governador do Rio propôs mudar o nome do Viaduto de Laranjeiras para Engenheiro Noronha.

Uma filha de Dr. Antônio Alves de Noronha se casou com um irmão de Ângelo Calmon de Sá, que foi presidente do Banco do Brasil e casado com Ana Maria, Miss Bahia. Ela foi namorada de Baby Pignatari, dono de uma grande empresa na Bahia, e que deu a ela um valioso colar. Quando ela queria irritar o Ângelo, usava o colar nas recepções.

6 comentários:

Anônimo disse...

Creio que há um equívoco. Se nasceu em 1904, em 1918 tinha 14 anos. Improvável ter-se formado pela Politécnica com 14 anos.
Fernando Bordallo

Kenard Kruel disse...

Fernando Bordallo, tomei por base a informação contida nessa página abaixo. http://www.calculodepontes.com.br/galeria-de-professores.php

não me toquei para as datas. Vou consultar a família e a direção da Politécnica.

obrigado pela atenção, kenard kruel.

Anônimo disse...

Adicionando ao que o amigo acima disse, creio que há outro erro. O Maracanã não é o maior estádio do mundo, e sim o 25o. Fonte: http://globoesporte.globo.com/platb/pombo-sem-asa/2011/12/27/no-ranking-dos-maiores-estadios-de-futebol-do-mundo-maracana-sera-o-25%C2%BA-apos-reforma-para-a-copa-de-2014/

Anônimo disse...

Meu avô foi morto com um tiro na cabeça calibre 22!

Anônimo disse...

Meu avô foi morto com um tiro na cabeça calibre 22!

Kenard Kruel disse...

amigo, o que mais pode dizer sobre o seu avô. tem fotos dele. dados. por gentileza, me passe;