sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ney Ferraz

Tio Ney Ferraz era filho de Cícero Leôncio Pereira Ferraz e de Maria José F. Pereira Ferraz. Nasceu em Valença, em 21 de novembro de 1886. Fez os estudos preparatórios no Liceu Piauiense. Quando o pai faleceu, para garantir os seus estudos, ingressou no Seminário São Francisco, na Paraíba, onde formou-se em Filosofia e iniciou o curso de Teologia, abandonando-o com pouco meses para concluí-lo. Por pouco menos de três meses não se ordenou padre. No período em que esteve na Paraíba, foi colega de turma, e depois grande amigo, do escritor, governador daquele Estado, ministro da Viação e Obras de Getúlio Vargas, o José Américo de Almeida, ex-candidato a presidente de República nas eleições abortadas de 1937. Aquele mesmo, da famosa entrevista concedida a Carlos Lacerda, em que fez duras críticas a seu antigo chefe. O curso de Teologia ele veio concluir em Teresina, no governo diocesano de dom Joaquim Antônio de Almeida, nosso primeiro bispo. Tio Ney Ferraz gostava muito de ler. Falava diversas línguas. Depois, formou-se em Farmácia, pela Faculdade de Medicina da Bahia, na turma de 1909. Regressando a Teresina, estabeleceu a Farmácia Ferraz, logo uma das mais destacadas da cidade. Administrada, maravilhosamente, pela tia Maria Augusta, uma mulher de fibra, danada, muito esperta, ninguém lhe passava a perna. A Farmácia Ferraz, era uma casa importadora e exportadora de drogas, produtos químicos e especialidades farmacêuticas nacionais e estrangeiras. Tinha uma na Rua Grande (hoje Álvaro Mendes), 26, e outra na Rua Rui Barbosa, 15. Na Farmácia Ferraz, tia Maria Augusta ganhou muito dinheiro.

Tio Ney Ferraz formou-se, ainda, em Direito pela Faculdade de Direito do Piauí, tendo sido concludente da primeira turma (1935). Foi membro da Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção do Piauí. Foi diretor da Mesa de Rendas do Estado. Elegeu-se vereador à Câmara Municipal de Teresina (1916 a 1920), da qual foi presidente. Inspetor do Ensino Secundário.  Em 1916 ingressou no Tribunal de Contas do Estado, tendo presidido a Corte de 3 de janeiro de 1928 a 2 de janeiro de 1930 e de 16 de janeiro a 10 de março de 1931. Por algum tempo ficou em disponibilidade, atingido que foi pelas medidas do ditador Getúlio Vargas, que mandou fechar as instituições no país.  Em 1947 voltou a exercer a sua função no Tribunal de Contas do Estado.


Maria Augusta de Aguiar

Casou-se com tia Maria Augusta de Aguiar, uma mulher muito bonita, exuberante, cheia de charme, mas tinha um pouco de ciúme por não ter sido mulher de governador. Era filha do des. Helvídio Clementino de Aguiar e de Genu Aguiar (a avô de Genu Moraes). O irmão dela, Eurípides de Aguiar, foi governador. A irmão dela, Elvira foi casada com o governador Antonino Freire. A outra irmã dela, Emydia foi casada com o governador João de Deus Pires Leal (Joca Pires).

O tio Ney Ferraz era um marido exempla. Tia Maria Augusta fazia para ele uns lenços de cambraia de linho, bordando a pontinha do “Ene” fininha. Ela fazia ponto muito bem. Muito prendada, como se dizia.

Eram donos da Farmácia Ferraz, casa importadora e exportadora de drogas, produtos químicos e especialidades farmacêuticas nacionais e estrangeiras. Tinha uma na Rua Grande (hoje Álvaro Mendes), 26, e outra na Rua Rui Barbosa, 15. Na Farmácia Ferraz, que ela administrava maravilhosamente bem, tia Maria Augusta ganhou muito dinheiro. Era uma mulher de fibra, danada, muito esperta, ninguém lhe passava a perna.


Com tia Maria Augusta de Aguiar, tio Ney Ferraz teve os filhos Helvídio de Aguiar Ferraz (médico pediatra) e Cícero Leôncio Pereira Ferraz (Juiz do Trabalho em Fortaleza).

Tia Maria Augusta herdou a famosa Fazenda Serra Negra, de muito gado, grande extensão de terra, com caça de toda espécie, onde era proibida qualquer tipo de matança de animais e derrubada de árvores. Vendida, pelos herdeiros, para um grupo cearense, que, por sua vez, a revendeu para o Grupo Edson Queiroz, também do Ceará. No dia 15 de março de 2006, o governador Wellington Dias, por força do decreto nº 12.135, fez o tombamento da Fazenda Serra Negra e seu entorno, situado no município de Aroazes.

Tio Ney Ferraz faleceu em Teresina, em 6 de agosto de 1967.

Tio Ney Ferraz era irmão de Elmira Ferraz, mãe de Maria Antonieta (falecida), de Maria Elmira e de José Cândido Ferraz (falecido) que, em 1943, foi preso pelo major Evilásio Gonçalves Vilanova, acusado de ser mandante dos incêndios que ocorreram aqui no tempo do governo de Dr. Leônidas de Castro Melo (1930 a 1945).

O juiz Pedro Conde foi quem expediu a ordem de prisão para o Dr. José Cândido Ferraz. O des. Odorico Jayme de Albuquerque Rosa foi o relator do habeas corpus impetrado em seu favor. Votou pela concessão da medida e o voto prevaleceu.

O Dr. José Cândido Ferraz era médico - radiologista, humanista, alma por demais caridosa. Jamais mandaria incendiar casa de pobre, pelo contrário. Quando aconteciam os incêndios, ele chegava no meio daquele chororô danado e dava dinheiro e mantimentos para amenizar o sofrimento dos sobreviventes, que agradeciam dizendo: - “bem se vê que é filho de dona Elmira Ferraz”.

Tirando Félix Pacheco e o marechal Firmino Pires Ferreira, ninguém teve mais prestígio político, durante tanto tempo, quanto o Dr. José Cândido Ferraz. Amigo do brigadeiro Eduardo Gomes e do marechal Dutra, de Carlos Larceda e de Getúlio Vargas, do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, dentre outros figurões da República, recebia cargos federais como nenhum outro. Colocou literalmente os políticos do Piauí a seus pés. Foi o Dr. José Cândido Ferraz quem, com as amizades nos altos escalões da República, conseguiu os recursos necessários para que o governador Tibério Nunes (UDN) pagasse o funcionalismo público, garantindo, assim, a vitória de Petrônio Portella (UDN) ao governo do Piauí, na sucessão de Chagas Rodrigues (PTB), derrotando Constantino Pereira (PTB), do PSD dissidente, que era apoiado pelo político parnaibano, nas eleições de 7 de outubro de 1962. Este, inclusive, perde as eleições para o Senado, ganhando, entretanto, para a Câmara dos Deputados, como a legislação eleitoral da época permitia.

Eleito senador em 1962, filiando-se a Arena após o advento do bipartidarismo pelo Regime Militar de 1964. Postulante à reeleição em 1970, foi derrotado na convenção partidária que indicou Fausto Gaioso e Helvídio Nunes candidatos ao Senado Federal. O que inviabilizou a sua reeleição foi o fato de ter sido protagonista do famoso protesto encabeçado por Daniel Krieger contra o Ato Institucional n. 5.

Quando faleceu (em Cleveland, Estados Unidos, a 23 de junho de 1975), pouco mais de vinte amigos compareceram ao seu velório e enterro. Não tinha mais nomeações a fazer.

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