sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Torquato Pereira de Araújo Neto

Solomé, Torquato e Heli Nunes.

Maria Salomé da Cunha Araújo, católica fervorosa, professor primária, nasceu, em Teresina, a 4 de junho de 1918, e faleceu, em Teresina, a 10 de março de 1993. Filha de Torquato Pereira de Araújo (chefe da Casa Militar de Leônidas Melo - 1935 a 1945) e de Maria Assumpção da Cunha Araújo, dona Sazinha. O casal teve, ainda, Maria Magdalena da Cunha (casada com Antônio Nonato da Cunha, ambos falecidos), Jesus da Cunha Araújo (falecido, casado com Mirtes Batista Araújo), José Torquato de Araújo (falecido - casado com Belinha Barros de Araújo), Maria Cleófas da Cunha Araújo (falecida, casada com Antônio Neto), Yara Araújo da Cunha (casada com Paulo Francisco da Rocha Cunha, falecido), Carmen Célia Araújo da Trindade (casada com Rubem Trindade), Isabel Marlene de Araújo Mendes (casada com Francisco das Chagas Mendes), Auréa Dulce Araújo de Sousa Lima (casada com João de Sousa Lima), Delfino Vital da Cunha Araújo (casado com Ledíce Teixeira, depois Ademildes, atualmente Izabel Ferreira), Adélia Araújo Almeida (casada com Francisco Alves de Almeida) Ernani da Cunha Araújo (falecido, casado com Maria Vitória Véras Araújo), e Zélia da Cunha Araújo (falecida com apenas 1 ano de idade).

Heli da Rocha Nunes, espírita e maçom, defensor público, nasceu na Fazenda Puça (Jerumenha - com o desmembramento, hoje no município de Elizeu Martins), a 22 de setembro de 1918, e faleceu, em Teresina, a 27 de setembro de 2010. Filho Aurino da Rocha Nunes, fazendeiro e jornalista, e Rosa Pereira Nunes. O casal teve, ainda, Neli da Rocha Nunes (casada com Nilo de Castro Soares, ambos falecidos), Aroly Nunes Figueiredo (divorciada de Lourival Figueiredo), Maria Amélia (falecida), Amália da Rocha Nunes (falecida precocemente), Carolina da Rocha Nunes (falecida), Oadi da Rocha Nunes (falecido) e Amália da Rocha Nunes Guimarães (divorciada de Francisco Almeida Guimarães). Casou-se, depois, com Maria Baldoíno de Barros (dona Cota), com quem teve Maria Teresinha Nunes de Barros (casada com Helvídio Nunes de Barros, ex-governador, falecido), Aurino Nunes Filho (casado com Lúcia Nunes), Jonathas de Barros Nunes, (casado com Maria Helena Madeira Nunes, falecida), José Ribamar de Barros Nunes (casado com Ana Maria, 1ª esposa, e, depois, com Maria de Jesus, 2ª esposa), Aurimar de Barros Nunes (casado com Chaime Narita Nunes), Nelson de Barros Nunes (falecido, casado com Maria de Jesus Nunes).

O casamento de Heli com Salomé, realizado a 13 de dezembro de 1943, não se deu de maneira fácil. “O tenente-coronel Torquato Pereira de Araújo não dava a filha para quem não pudesse sustentá-la decentemente. Quando a pedi pela primeira vez, ela fazia o Curso Pedagógico na antiga Escola Normal e eu era também estudante, sem emprego garantido. Na segunda vez, ouvi outro sonoro não porque, embora já com emprego fixo, ganhava pouco. Fugi com Salomé e consumei o fato, para desespero da família dela. O jeito, então, foi casar”, recorda sorrindo Dr. Heli Nunes.

Dona Salomé casou-se, na igreja, toda de branco. Dr. Heli, de terno escuro. Houve cerimônia, ainda, na casa do casal Otília e Aristides Cunha (ambos já falecidos). Depois, no Hotel São José, na Rua Paissandu, por conta dos amigos, foi oferecida uma das maiores recepções de Teresina.

Com a gravidez de dona Salomé super complicada, alugaram casa para morar na Rua Félix Pachêco (antiga Rua São José), onde teriam maior conforto. Para “segurar” a gravidez, ela tomava uma série de remédios, sob prescrição médica. Um desses remédios, ministrado de forma errada, provocou o nascimento prematuro (seis meses) e a morte da criança, que se chamaria Rosa Pereira, como a mãe de Dr. Heli Nunes.

Os médicos disseram que dona Salomé não podia mais engravidar, sob risco da própria vida, mas ela lutou até conseguir nova gravidez. Foi então que Torquato Pereira de Araújo Neto veio ao mundo, a fórceps, às 16 horas e 48 minutos do dia 9 de novembro de 1944, na Clínica Obstetra localizada no segundo pavimento do Hospital Getúlio Vargas, em Teresina. Os médicos Antônio Maria de Resende Corrêa Agenor Barbosa de Almeida, (ambos falecidos), fizeram o parto, auxiliados pela enfermeira Henriqueta Silva (inda viva, residindo perto do Centro Artesanal Mestre Dezinho). A Clínica era chefiada pelo médico João Emílio Falcão Costa, tendo como assistente o Dr. Urçulino de Sousa Martins. O HGV prestou este serviço até 25 de maio de 1953, quando foi instalada a Maternidade São Vicente, na Rua 24 de janeiro, 152. Teve como padrinhos Antônio Nonato da Cunha (bacharel em Direito, ex-diretor Regional da ECT, secretário de Governo no primeiro mandato de Alberto Silva (por algum tempo), presidente do Conselho de Administração do Estado, assessor parlamentar da governadoria por vários governos) e sua filha Niolena Maria de Araujo Cunha (falecidos).

Torquato Neto era de escorpião (ascendente em Touro e Lua em Virgem), regido pelo planeta Plutão. Signo dos que não temem a morte.

Estando um dia em casa, deitado, Dr. Heli Nunes recebeu a “visita” de Torquato Neto, que vinha avisá-lo que iria reencarnar e que ele procurasse acompanhar a gravidez da tia Ana Cláudia. “Ora, Ana Cláudia tinha feito uma ecografia que dava menina, mas nasceu menino. Não posso duvidar que foi coisa do meu filho, por isso pedi para adotar a criança dando-lhe todo conforto e carinho”, relata Dr. Heli Nunes, em depoimento ao autor.

José Geraldo Couto, da Folha de São Paulo, assim descreve uma conversa que teve com Dr. Heli, tratando da reencarnação de Torquato Neto: “Para muita gente Torquato Neto está vivo. Mas o pai do poeta, o defensor público aposentado Heli da Rocha Nunes, 75, parece ser o único a dar à frase um sentido literal. Em entrevista concedida à Folha por telefone, de Teresina, ele se disse convencido de que o filho reencarnou num menino da cidade, hoje com 2 anos. (Pai diz que o poeta reencarnou. In Folha de São Paulo, de  8 de novembro de 1992, caderno Mais 6-4.

Com uma voz serena e amável, Dr. Heli explicou sua convicção: ‘Há uns três anos, eu estava deitado aqui em casa e ouvi a voz de Torquato: ‘Papai eu vou reencarnar’. E eu lhe disse: ‘Meu filho, não reencarne lá (no Rio), longe de sua família, nem numa casa como a nossa, que não tenha condições econômicas de amparar seu talento. Reencarne na casa de fulana, que tem boa situação e é muito boa’. Ele não disse mais nada. Dias depois fui na casa de fulana, e disse à filha dela, casada  havia pouco, que ela ia ter um filho. Dito e feito: foram examinar, ela estava grávida. É esse menino que, segundo acredito, é Torquato reencarnado’.

O restante da família não acredita no Dr. Heli: ‘Eles são católicos, só eu que sou espírita’, diz ele, com certa amargura. Mas sua voz recupera a doçura quando fala do filho morto, que saiu de Teresina aos 15 anos para estudar ‘com os Maristas’, em Salvador, e depois, já no Rio, abandonou um curso de diplomata para escrever em jornal e fazer poesia. ‘Nós nunca tivemos recursos. Tudo o que ele fez foi graças ao próprio esforço’, diz o pai do poeta, homenageado por Caetano Veloso na canção Cajuína. A letra faz referência a uma visita que Caetano fez em Teresina ao Dr. Heli, durante a qual este lhe deu uma rosa. Cajuína é uma bebida que os pais de Torquato costumavam mandar para ele quando morava em Salvador”.

7 comentários:

Jorge Guerra disse...

Que belo espaço. Estou me deliciando e revivendo a bela Teresina.

A OUTRA FACE DAS PALAVRAS disse...

Amei o texto, Kenard! Muito bacana mesmo. Abração.

O Crepúsculo dos Contos disse...

Convivi com Heli Nunes e trabalhei com ele como motorista e também Diretor da Creche Espírita na cidade Picos. Heli era primo de meu pai e tinhamos uma aproximação porque também sou espírita e dava palestras espíritas no Centro Espírita que ele dirigia em Picos. Ele me dizia que morreria somente quando completasse 96 anos, e isso se concretizou. Ele era uma pessoa extremamente diversa de tudo que se possa imaginar, amigo, companheiro, e ao mesmo tempo, presente e distante. Certa vez, eu estava desesperado pois nada tinha em casa para o almoço e por acaso encontrei com ele na rua, e sem que me dissesse nada, ele puxou cinquenta reais e enviou no bolso da minha camisa. Eu disse: "O que é isso, Heli". Ele respondeu: "Voce não quer... Vá comprar o que precisa!" e continuou sua caminhada. Olhei para trás mas ele já havia desaparecido no meio da multidão.
Numa viagem a Salvador, eu e ele somente, numa S10, saimos de Picos às 3 da tarde rumo a Salvador... Uma viagem incrível. Depois eu conto.

Kenard Kruel disse...

amigo, preciso conversar com você. 8817 1179. ligue-me, por gentileza. não podemos deixar que essas lembranças se percam...

Simão Pedro disse...

Qual o valor de um abraço?
Essa resposta Dr Heli me deu, seu gesto permitiu que hoje eu tivesse meu teto.Um amigo querido, uma amizade iniciada pelo meu pai, um amigo inseparável.

Simão Pedro disse...

Qual o valor de um abraço?
Essa resposta Dr Heli me deu, seu gesto permitiu que hoje eu tivesse meu teto.Um amigo querido, uma amizade iniciada pelo meu pai, um amigo inseparável.

Cicero Laurindo disse...

quantos anos teria hoje a reeicanação de Torquato?