sexta-feira, 25 de junho de 2010

Landri Sales Gonçalves

Landri Sales, quando Diretor do DCT, no RJ.

Fui à sede dos Correios em Teresina. Adentrei a sala da assessoria de imprensa. Solicitei ao assessor Ari Conde, gentileza em pessoa, que me ajudasse a encontrar fotos do Landri Sales Gonçalves dos tempos que ele foi Diretor do Departamento dos Correios e Telegráfos, quando deixou a Interventoria Federal no Piauí (21 de maio de 1931 a 3 de maio de 1935). Passando uns dias, eis que me aparece a foto acima na minha caixa de mensagens do Yahoo. O envio, via Ari Conde, partiu da Camila Alves de Sena, do Museu dos Correios, em Brasília. Não devo deixar de agradecer a força que foi dada pelo meu amigo, jornalista Luiz Alberto Falcão, que trabalha em Brasília, também na sede dos Correiros de lá. Luiz Alberto Falcão, que trabalhou muito tempo na TV Clube, em Teresina, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas, deixando o cargo em 1985, quando assumiu o presidente Roberto John Gonçalves da Silva, e eu como segundo secretário. Mas, isso é outra história, a sair em breve no livro Os Jornalistas e a Renovação do Movimento Sindical Piauiense. Ao Ari Conde, à Camila Alves de Sena e ao Luiz alberto Falcão, meu muito obrigado.

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Landri Sales Gonçalves, filho de Francisco Lousada Gonçalves e de Efigênia Sales Gonçalves, nasceu em Acaraú (CE), a 19 de julho de 1904. Iniciou seus estudos em Camocim (CE), prosseguindo no Ginásio São Joaquim, em Lorena (SP), e no “Liceu Cearense”. Assentou praça em 1922, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, local onde estudaram, entre outros, Luís Carlos Prestes e Juarez Távora, e que sublevou-se a 5 de julho de 1922, tendo o cadete Flordoval Xavier Leal morrido em combate com as tropas oficiais, por ter se rebelado contra o governo de Artur Bernardes, e que também foi invadido após a frustrada tentativa dos “18 do Forte de Copacabana”. Aspirante-a-oficial em 1927, 1º tenente em 1929 e capitão em 1933. Na condição de 1º tenente, participou ativamente da tomada do poder em Fortaleza, em 1930, para derrubar a República Velha. As diretrizes do movimento revolucionário, planejadas por Juarez Távora, no Nordeste, eram centralizadas no Ceará na sua pessoa.
Em Uma Vida e Muitas Lutas - Da Planíce à Borda do Altiplano, Juarez Távora homenageou Landri Sales com dois capítulos, onde escreve:
“(...) aos jovens e denodados tenentes de 1930 - fatores decisivos da vitória revolucionária de outubro, no Norte do Brasil - sintetizados nos três comandantes de brigada em que foram reunidas as forças militares que operaram nessa região, Juraci Montenegro Magalhães, Jurandir de Bizarria Mamede e Landri Sales Gonçalves”.
No Pará, sucedeu o primeiro triunvirato formado em decorrência da Revolução de 1930, formada por Mario Midosi Chermont, Abel Chermont e Otavio Ismaelino Sarmento de Castro. Ambos governaram o Pará por apenas dois dias. A Junta, de 24 a 26 de outubro de 1930. E Landri Sales, de 26 a 28 de outubro de 1930. Foi sucedido depois pelo segundo triunvirato, formado por Otavio Ismaelino Sarmento de Castro, Antônio Rogério Coimbra e Mario Midosi Chermont, que governou o Pará de 28 de outubro a 12 de novembro de 1930.
Interventor Federal do Piauí, por ato de 7 de maio de 1931, do governo provisório da República, Landri Sales assumiu o cargo no dia 21 de maio de 1931, ficando até o dia 3 de maio de 1935.
Antes, porém, esteve em Teresina, enviado pelo governo federal, para colher informações sobre a queda de Humberto de Arêa Leão, liderada pelo des. Joaquim Vaz da Costa e Leão da Rocha Marinho, e apurar denúncias de irregularidades da interventoria provisória de Lemos Cunha.
Ao tentar ouvir de Humberto de Arêa Leão as razões do movimento que o derrubara, teve como resposta:
“Sr. tenente, eu o recebo com as gentilezas de homem e o recebo com respeito e afabilidade no trato de homem a homem, mas não posso me submeter à sindicância feita por oficiais de patente inferior à minha”.
Landri Sales foi indicado Interventor Federal do Piauí pelas seguintes razões: os tenentes compunham, naquele momento, grupo de pressão com bastante força dentro do governo provisório (a prova disso é que a maioria das interventorias estaduais estavam sendo ocupadas por militares do Exército), ou seja, era militar e não estava envolvido com as facções políticas locais. Isso porque a situação piauiense estava tão grave, que o governo central indicou um “estrangeiro” e pessoa de extrema confiança de Juarez Távora para resolver a chamada “Questão do Piauí”.
A administração Lemos Cunha tinha ganho notoriedade nas páginas dos jornais da capital de República, entre eles O Globo que, em artigo, relata a situação:
“(...) ocorreram os tempos. Diversos nomes surgiram e foram postos como incapazes para conciliar a política piauiense; enquanto isso, o Des. Vaz da Costa, de acordo com o interventor de emergência, promovia o fortalecimento de sua vontade, armando a Polícia e pondo em armas, dentro de Teresina, homens que vinham dos municípios sob medida (...). Há três semanas, afinal, um decreto do Governo Provisório designou o juiz Raimundo Campos para interventor, obedecendo a sugestões do Piauí. Até hoje aquele juiz não pôde tormar posse. O Des. Vaz da Costa não consentiu (...)”.
No seu discurso de posse, Landri Sales procurou minimizar as razões da indicação ao dizer:
“Não venho à vossa terra com a preocupação de auferir vantagens na posição em que me coloca o governo da República. Desejando ouvir vossas opiniões e colaborar convosco, venho com a parcela do meu esforço tentar resolver o problema administrativo do vosso Piauí, do meu Piauí. (...) Não reconheço partidos, não tenho amigos (...), desejo, portanto, a realidade objetiva, a concretização pela união de classe, pelo grupamento de indivíduos que produzem em sindicatos para pleitearem, junto ao governo, as medidas que visem o bem coletivo”.
Na composição da equipe de governo, Landri Sales deixou de fora os políticos mais conservadores e os componentes da interventoria de Lemos Cunha, colocando em postos chaves colegas de farda, como o tenente Antônio Martins de Almeida - secretário geral, tenente Agenor Monte - secretário da Fazenda, capitão Colares Moreira - chefia de Polícia e o tenente Macário Oliveira - departamento de Polícia. Entre os civis, figuravam nomes como Heráclito Sousa - chefe de Gabinete, Benedito Martins Napoleão do Rêgo - diretor geral da Instrução e Luís Mendes Ribeiro Gonçalves - diretor de Obras Públicas.
Nomeou para Intendente de Teresina, o engenheiro Luís Pires Chaves (17.3.1932 a 10.5.1935) que, entre outras obras, reformou a Avenida Antonino Freire seguindo as mais ousadas práticas urbanísticas/arborícolas do Brasil sem perder de vista os valores locais (por exemplo, a carnaubeira, símbolo do Piauí, no canteiro central daquela avenida).
Em 1935, Luís Pires Chaves já deixava a prefeitura com a Avenida Frei Serafim (a chamada “avenida dos sonhos”), bastante adiantada, guardando o caráter de monumentalidade.
Lindolfo Monteiro ao assumir a Prefeitura de Teresina, a 1 de fevereiro de 1936, não perdeu tempo. Retomou a avenida e a concluiu no mesmo ano.

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Poucos dias após o início da sua administração, Landri Sales enfrentou uma rebelião no 25º BC iniciada pelo cabo Amador, com papel de destaque para os cabos Ariovaldo Cavalcante e Aluízio, que ficou conhecido como Cabo Interventor por sentir-se como tal ao sentar-se na cadeira do interventor oficial, aprisionado com uma boa parte da equipe de governo.

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Em reunião de 27 de setembro de 1934, em Teresina, a representação do Conselho Central do Partido Nacional Socialista (PNS), tendo em vista as eleições do dia 14 de outubro, resolveu indicar o Leônidas Melo para as funções de governador do Piauí; José Pires Rebelo e Luís Mendes Ribeiro Gonçalves para o Senado Federal; o tenente Agenor Monte e Francisco Freire de Andrade, Francisco Pires Gaioso Napoleão do Rêgo, Adelmar Rocha e Osvaldo Costa e Silva para a Câmara dos Deputados.
Landri Sales foi sondado para continuar à frente do governo do Piauí, tendo recusado a proposta. Foi oferecida vaga no Senado Federal, também não aceita. Decidido a voltar para a vida da caserna, declarou apoio ao médico Leônidas Melo para o governo do Estado e aos demais nomes indicados pelo PNS para o Senado e para a Câmara dos Deputados.
Antes da eleições, acordaram Landri Sales e Hugo Napoleão do Rêgo na formação de um grande partido piauiense, em que fossem fundidas as duas forças revolucionárias do Estado. Assim nasceu o Partido Nacional Socialista do Piauí, com a instalação da Comissão Central, composta por Raimundo de Arêa Leão, Cláudio Pacheco, Francisco Freire de Andrade e Gaioso e Almendra, sob a presidência do capitão Martins de Almeida. Landri Sales e Hugo Napoleão do Rêgo foram eleitos presidentes de Honra do PSN.
Na formação da chapa, sem acordo, em princípios de junho de 1933, formou-se, então, o Partido Progressista Piauiense, sob a presidência de Hugo Napoleão do Rêgo, tendo como vice-presidente em exercício o des. Tomás de Arêa Leão; tesoureiro Edmundo Oliveira; secretário Cláudio Pacheco; consultor eleitoral Adolfo Alencar. Do Conselho Supremo do Partido, também sob a presidência de Hugo Napoleão do Rêgo, faziam parte, além dos membros da Comissão Executiva, o major José Faustino dos Santos e Silva, o capitão Jonas Correia, o Dr. José de Abreu, o major Pedro Mendes, os coronéis Joaquim Noronha, José João dos Santos, Jeremias de Arêa Leão, Dr. Leucipo Avelino e outras personalidades da política e social do Piauí.
A chapa apresentada foi: Hugo Napoleão do Rêgo, Raimundo de Arêa Leão, Sigefredo Pacheco e Adolfo Alencar.
A situação concorreu apoiada em quatro partidos; o Partido Nacional Socialista (de Landri Sales), a Liga Católica, os elementos do Partido Republicano Piauiense e os elementos do capitão Narciso da Rocha.
A oposição concorreu com o Partido Progressista Piauiense, liderado por Hugo Napoleão do Rêgo, e o Partido Liberal, liderado pelo comandante Helvécio Coelho Rodrigues.
Foram eleitos, pela situação, Agenor Monte, Francisco Freire de Andrade e Francisco Pires Gaioso e, pela oposição, Hugo Napoleão do Rêgo, formando, assim, a bancada piauiense que trabalhou na elaboração da Constituição Brasileira de 1934. Esta, no capítulo das Disposições Transitórias, estabeleceu a realização de eleições legislativas para outubro do mesmo ano.
Travou-se, no Piauí, nova disputa entre dois grupos políticos: o liderado por Landri Sales, que elegeu 16 deputados estaduais, e o outro, por Hugo Napoleão do Rêgo, que elegeu 8 membros do Legislativo.
Cabia à Assembléia Legislativa a responsabilidade de eleger, indiretamente, o governador e os senadores da República. Possuindo a maioria dos parlamentares, o PNS, em eleição realizada no dia 22 de dezembro de 1934, elegeu Leônidas Melo para o governo e José Pires Rebelo e Luís Mendes Ribeiro Gonçalves para o Senado.

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Fatos da administração Landri Sales: Fomentou a pacificação política. Construções e reformas de prédios públicos, especialmente no setor educacional. Reforma da Justiça. Citam-se os seguintes atos e fatos administrativos e políticos: criação da Diretoria de Saúde (decreto n° 1.280, de 30-06-1931). Reorganização dos municípios (decreto n° 1.279, de 26-06-1931). Participação do Piauí na revolução de São Paulo (1933). Extensão ao Piauí do Serviço do Correio Aéreo Na-cional (CAN). Início da construção do Liceu Piauiense (1934). Criação do município de Fronteiras (decreto n° 1.645, de 16-04-1935). Inauguração do cinema falado em Teresina. Criação da Diretoria das Municipalidades. Instituição do Conselho Consultivo do Estado.

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Voltando às fileiras do Exército, Landri Sales fez parte do Estado Maior da 3ª Região Militar (RS) e serviu como oficial da 14ª RI de Niterói. Com o golpe de 1937, foi convocado a dirigir o Departamento dos Correios e Telégrafos. Foi Diretor do DCT de 25 de julho de 1939 a 8 de novembro de 1945, quando foi obrigado a deixar o cargo porque era simpatizante da candidatura udenista do brigadeiro Eduardo Gomes. Depois, voltou a dirigir o DCT de 13 de julho de 1949 a 13 de fevereiro de 1951. Foi comandante do 1° Batalhão de Caçadores, sediado no Rio de Janeiro (1954-1955). Comandante do 2° Regimento de Infantaria (RJ). General-de-brigada (1957), passando para a reserva no posto de general-de-divisão. Chefe do Gabinete da Escola Superior de Guerra. Presidente da Companhia Telefônica Brasileira.

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Por gentileza, quem tiver mais informações sobre o Landri Sales, esse período da história, fotos do Landri Sales, desse período da história, enviar para:
kenardkruel@yahoo.com.br (muito grato). Kenard Kruel.

Um comentário:

Marcelo Area Leão Area Leão disse...

Matéria muito boa! Meu amigo Kenarde vou enviar-lhe uma foto Landri Sales dando posse aos intendentes em 1935.Grande abraço Marcelo Arêa Leão.