terça-feira, 14 de julho de 2009

Herbert Parentes Fortes

Herbert Parentes Fortes. Foto sem crédito.

Kenard Kruel

Quem passa pelo cruzamento das Avenidas Miguel Rosa / Frei Serafim hoje, nessa pressa danada, não tem olhos nem sentimento para ver e sentir o prédio sem uso que leva o nome de Herbert Parentes Fortes e que, na década de setenta (século passado) foi palco de grandes shows, exposições, debates, paixões desenfreadas, entre outras atividades artísticas e culturais. Precisamos reativá-lo. Teresina carece de espaço para encontros, apresentações, artes e artemanhas. O Herbert Parentes Fortes tem dois espaços: um com palco; outro em forma de mesa redonda ao meio. Não me lembro mais de quantas pessoas cabe, mas creio que mais de 150 cada lado. Com menos de 10 mil reais, ele fica em ponto de uso. O prédio é da administração do DER, que pode fazer um convênio com uma entidade para o seu bom uso.
A proposta é que ele fique sob a administração da Escola de Teatro Gomes Campos, tão bem administrada pelo dramaturgo Aci Campelo.
Quanto ao Herbert Parentes Fortes, pessoa, ele foi um dos nossos modernistas esquecidos. Participou de movimento e da Semana de Arte de Moderna. Deixou uma dezena de livros inéditos sobre a Língua Brasileira.
A proposta é promover um seminário sobre o Herbert Parentes Fortes resgatando-o do esquecimento em que se encontra.

HERBERT PARENTES FORTES nasceu em Teresina, a 11 de novembro de 1897. Formado em Medicina pela Faculdade da Bahia, em 1923. Foi professor, filólogo, linguista e jornalista. Por causa de um câncer, teve que amputar um braço em 1928, o que fez com que ele se afastasse da medicina e o tornasse professor, profissão a qual se dedicou por toda a sua vida. Foi professor das principais escolas do Rio de Janeiro, entre elas, do renomado Colégio Pedro II e do Instituto Lafaiete. Especializou-se no estudo da língua portuguesa. Faleceu no Rio de Janeiro, a 4 de setembro de 1953.
Herbert Parentes Fortes, além de didata vivo e de grandes recursos, deixou várias obras publicadas, obras estas de pesquisas filosóficas, sociológicas, lingüísticas e educacionais, dentre as quais destacamos: Do Critério atual de correção gramatical, Bahia, 1927 – Sugestões sociológicas, Bahia, 1927; Sobre literatura brasileira, Bahia, 1927; Comentários sobre a linguagem da infância, Bahia, 1933; Educação física nos costumes brasileiros; Transformismo, lingüística e léxico – Estudos e reflexões sobre a língua portuguesa, Bahia, 1924; Assuntos de língua brasileira, Rio, 1946; O veredicto da filosofia na denominação das línguas, em “Anais do I Congresso Brasileiro de Filosofia” vol. II, São Paulo, 1950.
Colaborou em várias revistas científicas, como a Revista da Academia Brasileira de Letras, A Ordem, América, e na imprensa da Bahia e do Rio (Letras e Artes, A Manhã, Jornal do Commércio etc.).

O que dele disseram:


Tristão de Athayde – Nossa geração não possuía até hoje um filólogo. Ou melhor, não havia um filologista da nova geração. Isto é, cujas ideias estivessem de acordo com os princípios da linguística moderna e que, ao mesmo tempo, aceitasse a libertação da língua brasileira do tronco luso.


Monteiro Lobato – Não imagina que prazer ma causou a leitura de sua tese sobre a correção gramatical. Li-a, reli-a e vou relê-la e fazer que outros a leiam (infelizmente aqui só uma criatura capaz disso, o Arthur Coelho).

Antenor Nascentes – Nos Arquivos da Congregação Mariana Acadêmica (Bahia, 1924), o Dr. Herbert Parentes Fortes publicou um interessante estudo sobre transformismo, léxico e grafia e outras questões filológicas. O trabalho revela grande estudo e erudição da parte do seu autor.

Afrânio Coutinho – (...) Herbert saiu daquele Cenáculo (Colégio Antônio Vieira, de Salvador), com a marca indisfarçável: a paixão das ideias, o amor da mocidade. E o gosto da coisa pública. Era de vê-lo numa roda de amigos a discutir problemas de metafísica e sociologia! Era de vê-lo falar do Brasil, defender nosso país, reivindicar a originalidade e a autonomia de sua língua! A língua brasileira! Esta foi a paixão maior da sua vida intelectual: provar a existência de um falar próprio e distinto dos portugueses e justificar a sua denominação.

Adonias Filho
– (...) foi mostrando, porém, a distância que separa a língua do Brasil da de Portugal, baseando-se nos princípios da ciência. Aplicados à nossa fala, que Herbert Parentes Fortes se integrou definitivamente no grande movimento da sua geração – o Modernismo.
Os críticos e historiadores da moderna literatura brasileira – com exceção talvez de Tristão de Athayde e Cassiano Ricardo – sempre esqueceram, na dinamização do movimento a importância que nele desempenharia o professor do colégio da Bahia.
(...) Queiram ou não os que o combateram e o viram como um visionário, a verdade é que, estudioso da língua do seu povo, Herbert Fortes permanecerá como o primeiro a ter admitido a língua nacional.

Guerreiro Ramos – mais bem equipado que Mário de Andrade em matéria de sociologia da linguagem, Herbert Fortes funda uma tradição científica.
Herbert Parentes Fortes, além de didata vivo e de grandes recursos, deixou várias obras publicadas, obras estas de pesquisas filosóficas, sociológicas, lingüísticas e educacionais, dentre as quais destacamos: Do Critério atual de correção gramatical, Bahia, 1927 – Sugestões sociológicas, Bahia, 1927; Sobre literatura brasileira, Bahia, 1927; Comentários sobre a linguagem da infância, Bahia, 1933; Educação física nos costumes brasileiros; Transformismo, lingüística e léxico – Estudos e reflexões sobre a língua portuguesa, Bahia, 1924; Assuntos de língua brasileira, Rio, 1946; O veredicto da filosofia na denominação das línguas, em “Anais do I Congresso Brasileiro de Filosofia” vol. II, São Paulo, 1950.
Colaborou em várias revistas científicas, como a Revista da Academia Brasileira de Letras, A Ordem, América, e na imprensa da Bahia e do Rio (Letras e Artes, A Manhã, Jornal do Commércio etc.).

2 comentários:

Rodrigo Queiroz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo Queiroz disse...

Olá Kenard,como vai? Queria registrar minha gratidão pelas notas sobre o Herbert Parentes Fortes. Fiz uma busca e o Google me remeteu ao teu texto. E porque fiz esta busca? Porque acabo de ler Alberto da Costa e Silva, um dos nosso grandes africanistas, falando que ao desenvolver um fascínio por Casa Grande Senzala, no que diz respeito a importância da matriz africana na formação do povo brasileiro como do Brasil, comenta com seu professor, piauiense Herbert Fortes, e este logo indica Nina Rodrigues e Manuel Querino para o jovem estudante entender mais sofre a África. Bem era só pra agradecer. Abraços