Zé Elias, William Melo Soares, Albert Piauí, Kenard Kruel, Arnaldo Albuquerque, numa das muitas reuniões do Salão de Humor do Piauí. Foto sem crédito.
Rômulo Abreu
Thiago Meneses
Emanuel Alcântara
Romeu Tavares
Thiago Meneses
Emanuel Alcântara
Romeu Tavares
Quando falamos de Albert Piauí lembramos logo do Salão de Humor, da Fundação Nacional do Humor, dos inúmeros cartuns criados para jornais locais e nacionais. O que muitos não sabem é como a boemia contribuiu para esse ilustre fazer parte do cenário jornalístico, cultural e artístico piauiense e nacional.
Natural de Luzilândia, chegou a morar em Goiatuba-GO e no Rio de Janeiro, mas sua trajetória artística começa mesmo na cidade de Teresina. Chegando à capital piauiense no ano de 1968, Albert conheceu um campo fértil para produzir. Antes de mudar-se para a capital, conhecia os traços de cartunistas nacionais como Millor Fernandes e Ziraldo, mas sua identificação com o movimento cultural ainda não nascera. Isso ocorreu durante encontros com amigos na Rua Benjamin Constant, no Centro da cidade, onde morou na adolescência pôde desfrutar da proximidade com a música. Vizinho de um maestro do 25º Batalhão de Caçadores do Estado, sendo este pai de três filhos, todos músicos, contou com este contato para apreciar a arte musical.
Naquela rua, dentro das rodas de música, acompanhada de cachaça misturada com coca-cola, tocando e cantando músicas da época como a Jovem Guarda e a Tropicália, Albert teria os primeiros contatos com a arte e com alguns artistas da Teresina daqueles dias.
Estando entre artistas e influenciado pelo jornal carioca O Pasquim foi aos poucos se apaixonando pela produção jornalística, pois muitos dos jornalistas do jornal carioca pertenciam ao campo artístico. Aos dezoito contribuíra com cartuns no jornal O Dia, mas a paixão e a produção de cartuns surgiram bem antes, ainda na sua cidade natal.
Quando o pai de Dodó Macedo foi transferido de Piracuruca para a cidade de Luzilândia, cidade a beira do Parnaíba há 242 km da capital, Teresina, não imaginava encontrar na cidade alguém que desfrutasse da mesma paixão dele pelos quadrinhos. Quando procurou alguém que teria algumas revistas em quadrinhos indicaram-no a um outro garoto, chamado Albert . A partir desse momento, os dois passaram a compartilhar um interesse em torno dos desenhos e logo mais as charges e cartuns.
Em sua cidade natal, Albert Piauí teve acesso as principais revistas da época, como a publicação O Cruzeiro que reunia o melhor do humor no jornalismo na época. Usado como forma de mídia de resistência, a charge e o cartum, puderam retratar fatos e personagens que marcavam os “anos de chumbo. Na tentativa de fugir dos órgãos de repreensão existentes.
Em Teresina, Albert guardou consigo essa paixão pelo humor no jornalismo, e com as amizades na capital foi conhecendo aqueles que faziam o movimento cultural na cidade nas décadas de 60 e 70.
Pôde contribuir primeiramente no jornalismo cultural escrevendo sobre música em uma coluna no jornal piauiense O Dia. Mesmo tendo feito uma charge para o jornal O Estado, demorou um pouco até que pudesse contribuir com aquela que era sua principal paixão desde a infância, o cartum.
Com o seu trabalho em mídia impressa foi reconhecido na cidade, sendo chamado por um grande nome do teatro da época, Tarcísio Prado, para ser cenógrafo de um programa cultural o da recém criada TV Clube o TP Estúdio. Através desse episódio, ultrapassaria aquele cenário da boemia cultural que outrora limitou-se, apenas, aos seus amigos de Rua Benjamin Constant.
Começou a fazer parte da chamada ala dos artistas marginais, ou seja, aqueles que participavam do movimento cultural, mas estavam de fora da arte constituída produzida pelos pertencentes a academia piauiense de letras. Em bares como o Gelatis, na Avenida Frei Serafim era produzidas canções e produções artísticas.
Por causa de repreensão da ditadura militar era difícil saber quem era ou não um espião do governo. A única forma de driblar isso e produzir arte de denuncia era dentro da marginalidade. E essas idéias e ideais eram criados nas rodas artísticas em bares da capital.
Numa dessas rodas, no Bar da Tia Ana, surgiu o tão conhecido Salão de Humor do Piauí. Albert Piauí, Zé Elias Área Leão e Kenard Kruel criaram a idéia do salão aos moldes do que existia em Piracicaba – SP com a finalidade de salvar a cultura que era produzida no Estado. Durante o Salão de Humor seriam expostas inúmeras produções locais e nacionais, elevando o gênero a uma popularidade ainda não conquistada em terras piauienses.
Com algumas facilidades políticas – Zé Elias trabalhava na então secretaria de cultura do Estado – o salão saiu. Pequeno ainda, mas aos poucos foi crescendo e tornando-se marca registrada no folclore local.Idéias e produções criadas dentro das rodas de bate-papo entre amigos e acompanhadas por bebidas só foram cessadas quando Albert resolveu conhecer melhor o espiritismo. Levado por uma namorada conheceu a Fundação Espírita participando de estudos sobre a principal obra produzida com a temática: O Livro dos Espíritos. Assim, inicia-se uma busca pelo crescimento de outro lado seu, o espiritual. Proporcionando a partir desse episódio construções importantes na sua trajetória.
Em conjunto com um grupo de pessoas, conseguiu reabrir o primeiro centro espírita de Teresina, Bezerra de Meneses. A partir daí iniciou-se todo um trabalho voltado para a educação e o trabalho de atendimento dentro da doutrina espírita. Essa iniciativa pôde educar inúmeras pessoas das regiões do Matadouro e Pirajá dentro da doutrina.
Esse envolvimento não foi religioso, e sim, de investigação de perguntas básicas que todos nós nos fazemos. De onde viemos? Existem ou não existem espíritos? Para onde vamos no pós-morte? Buscando respostas, por 6 anos, abdicou de muitos prazeres como a bebida, o rock, a carne vermelha.
Alguns detalhes pessoais de Albert Piauí são um tanto controversos, em especial, ao que lida com a família. Teve muitas mulheres, mas apenas com três delas teve filhos. Ao todo são cinco frutos desses relacionamentos. Do primeiro casamento teve Thiago e Felipe. Depois se casaria com a Helena e teve mais dois filhos. Pedro de Helena e Albert Nane todos moram em Curitiba, com exceção do Pedro que mora atualmente em São Paulo. Por último teria sua única filha Lise que vive em Teresina.
Todos os seus filhos trabalham diretamente ou tem ligação com a arte. Sejam como fotógrafos, músicos ou atores. Segundo o pai, ele não teve nenhuma influência na escolha deles, mas como quatro deles moram ou moraram em Curitiba, um dos cenários culturais mais importantes do país, isso pode ter contribuído para a escolha profissional dos seus descendentes.
Sem dúvida um dos principais legados de Albert Piauí são a Fundação Nacional do Humor e o Salão do Humor. No entanto, os mesmos sofrem alguns problemas administrativos. Segundo o Albert, as dificuldades do salão de humor ocorrem por uma dificuldade sua de comunicação com os outros setores da sociedade civil, coisa que, segundo o próprio cartunista, ele não faz tão bem como a sua arte “eu acho que eu não sou um bom administrador porque eu estou tentando reformar um prédio a dez anos eu não consigo reformar”, afirma.
Muitas vezes por falta de um planejamento prévio, as atividades do Salão e da Fundação são minimizadas. Como o que ocorrera em 2007. Ano que comemorava as 25 edições do evento de humor no Piauí, mas que por falhas no processo de organização deixou-o bem menor que edições anteriores.
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