Genu Moraes. Foto de Kenard Kruel.Deoclécio Dantas
O sonho de intelectuais de Teresina, na década de 1940, era a tradução, para o português, da obra "A General Description of the State of Piauhy", de autoria do piauiense Antônio José de Sampaio.
Nascido em Livramento, atual José de Freitas, em 9 de abril de 1837, o engenheiro Sampaio, como era mais conhecido, faleceu no Rio de Janeiro, em 1906.
Engenheiro industrial e doutor em Ciências Físicas e Naturais pela Escola Politécnica de Zurich (Suíça), foi professor na Escola de Engenharia do Rio de Janeiro. Sampaio dominava vários idiomas, entre os quais alemão, francês e inglês, e foi neste último que produziu os volumes de sua obra "Descrição Geral do Estado do Piauí", finalmente lembrada, por promessa de tradução, em 1952.
A Assembleia Legislativa do Piauí chegou a autorizar, pela Lei nº 582, de 15 de julho de 1952, a concessão de prêmio de 20 mil cruzeiros à tradutora Maria Cacilda Ribeiro Gonçalves, "catedrática de inglês do Ginásio Estadual da Escola Normal Antonino Freire".Sancionada pelo então governador Pedro de Almendra Freitas, conterrâneo do engenheiro Sampaio, a mesma lei abriu crédito de 60 mil cruzeiros, no Departamento da Fazenda, "para ocorrer ao pagamento das despesas respectivas".
Como, ao longo de sua existência, o Piauí tem sido mais coveiro do que divulgador de sua história, a referida lei não produziu os resultados dela esperados.A própria Maria Cacilda, em desabafo do dia 7 de setembro de 1963, quando a tradução foi finalmente publicada, disse o seguinte: "Queremos expressar, aqui, o nosso agradecimento ao jornalista Osvaldo Bugyja Britto, que pela imprensa reclamava a publicação desta tradução, e por cujo esforço foi votada a Lei nº 582. Mas, não foi bastante. A falta de pagamento do crédito respectivo anulou o nosso esforço".
Aliás, no quesito memória do Piauí, não apenas o Estado falha no dever de mantê-la viva. Viúvas de homens ilustres, que herdaram grandes patrimônios e generosas pensões do poder público, também não ligam para a memória de seus maridos.
Conheço apenas duas com esse tipo de preocupação: a ministra Élvia Lordelo, viúva do jornalista e escritor Carlos Castelo Branco, e a professora Yedda Nunes, viúva do médico e ex-governador Tibério Nunes. Também destaco a iniciativa da jornalista Genu Moraes, filha do médico, jornalista, ex-senador e ex-governador Eurípedes Aguiar. Ela acaba de montar, no casarão da família, na Avenida Antonino Freire, uma bela exposição de fotos e documentos sobre a vida do seu pai.
Luís Mendes Ribeiro Gonçalves, biógrafo do engenheiro Sampaio, discorreu sobre os grandes obstáculos enfrentados pelo notável piauiense para instalar, em terras das Fazendas Nacionais do Piauí, a nossa primeira indústria de laticínios "com máquinas em funcionamento, quebrando a monotonia daquelas paragens, onde antes, só o vento açoitava as folhas".
(*) Deoclécio Dantas é jornalista.
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